a conversa sincera

806 Palavras
Joaninha respirou fundo, ainda segurando o papel da matrícula nas mãos. — Meu Deus… — sussurrou, quase sem acreditar. — Isso é real. Eu… eu vou começar a cursar Medicina! Marcos sorriu, olhando para ela com aquele brilho nos olhos que sempre a deixava sem fôlego. — É real pra você, Joaninha. — disse ele, com calma e firmeza. — Vai cursar Medicina. Vai estudar, vai se formar… e eu vou estar torcendo por você em cada passo. Ela não resistiu. Num impulso de alegria, deu um beijo direto no rosto dele. Ele se surpreendeu, mas logo sorriu e inclinou-se para retribuir o gesto. — Desculpa, Marcos… — disse ela, corando imediatamente. — Desculpa, eu não queria… Ele afastou o rosto só o suficiente para olhar nos olhos dela, segurando suas mãos. — Não tem o que pedir desculpa, tá? — disse com firmeza, mas com um carinho que a fez derreter. — Você não precisa se desculpar por nada… nunca. Ela respirou fundo, sentindo o coração acelerar. Por um instante, o mundo parecia ter parado. — Então… é isso mesmo? — perguntou ela, quase num sussurro. — Eu realmente vou começar Medicina… e você vai estar por perto? — Por perto sempre que você precisar. — respondeu ele, com um sorriso que misturava orgulho e algo mais… algo que Joaninha não sabia nomear ainda. — Mas agora… você precisa comemorar esse momento. É só seu. Ela sorriu, sentindo-se leve, feliz… quase flutuando. Nunca tinha se sentido tão importante, tão reconhecida… e ao mesmo tempo tão protegida. Enquanto caminhavam pelos corredores da universidade, lado a lado, Joaninha sabia que aquele dia ficaria marcado para sempre. Não apenas pelo começo da sua carreira, mas pelo início de algo novo e inesperado em sua vida: a sensação de ser cuidada, compreendida… e, acima de tudo, desejada de um jeito que ela ainda nem sabia direito como chamar. Assim que entraram no carro, Joaninha ainda estava pensativa, tentando organizar os sentimentos que borbulhavam dentro dela. — Marcos… — começou, com um tom hesitante — eu sei que lá na faculdade o pessoal pode achar que eu sou sua namorada… mas eu não quero te causar problema. Entende? Eu sou sua funcionária, e se esse boato chegar aos ouvidos da sua família, daqui a pouco todo mundo pensa que eu sou interesseira. E meus pais… meus pais são muito conservadores, sabe? Somos do interior. Então, por favor… eu não quero causar confusão. Marcos sorriu suavemente, apertando a mão dela sobre a sua. — Júnior… — disse ele, usando o apelido carinhoso que dava a ela — pode ficar tranquila, tá? Ele respirou fundo, olhando para frente, mas sem tirar a mão dela da dele. — Deixa eu te falar uma coisa. Eu não tenho namorada. Não tenho ex-maluca que vai me perturbar. Meus pais não têm nada a ver com o que eu faço com a minha fortuna, a minha empresa é minha. Tudo que eu faço, incluindo o projeto que está envolvendo você, vem do que eu senti no meu coração. Joaninha abriu os olhos, surpresa com a sinceridade dele. — Então… — continuou ele, com um sorriso leve — cada momento que passo do seu lado é único pra mim. Eu sei que pode parecer cedo, mas eu não quero que você se preocupe com pressões, com boatos ou com expectativas alheias. Se um dia a gente namorar… vai ser no tempo certo. Nada de pressa. Nada de pressão. Ela sentiu o coração bater mais forte. Ele sempre conseguia dizer as coisas de um jeito que a fazia se sentir segura, mesmo no meio de dúvidas. — Mas, Marcos… — ela começou, ainda insegura — se a gente se envolvesse no futuro, seria complicado… eu sou sua funcionária. Se algo desse errado, eu poderia perder meu trabalho, meu pai poderia ser afetado… não quero que isso aconteça. Ele se inclinou um pouco, apertando delicadamente a mão dela contra os lábios e olhando-a nos olhos com firmeza. — Princesa… — disse com calma — o trabalho do seu pai é fixo, ninguém tira isso. Sua casa é segura, ninguém pode tirar. E quanto a nós… só o tempo vai dizer. Por enquanto, vamos aproveitar cada momento que podemos ficar juntos, sem pressa. Sem preocupações. Ele sorriu, e então, com aquele jeito que ela já conhecia, inclinou-se novamente e deu mais um beijo suave na mão dela. — Tá bom, Joaninha? — perguntou ele, retomando a direção com tranquilidade. — Agora, só aproveita… deixa o resto comigo. Ela respirou fundo, sentindo uma onda de alívio e ternura. Pela primeira vez, conseguiu relaxar de verdade, confiando nele. O carro seguiu seu caminho, o silêncio confortável entre eles preenchido apenas pelo som da cidade lá fora, e Joaninha percebeu que, não importa o que acontecesse, cada instante ao lado dele seria precioso.
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