Capítulo 19 — À Mesa do Poder

980 Palavras
O jantar se estendeu mais do que Siena esperava. Não por tensão, mas porque havia dias demais para serem preenchidos. Conversaram sobre a casa, decisões pequenas que tinham sido adiadas, lembranças soltas que surgiam no meio de uma frase. O clima era calmo. Íntimo. Quase comum demais para duas pessoas que carregavam tanto peso nos ombros. Era confortável. Vittorio foi quem quebrou o ritmo, pousando o copo devagar sobre a mesa, como se marcasse um território invisível. — Siena… teremos uma cúpula. Ela levantou o olhar no mesmo instante. — Onde? — Na casa do Luca e da sua irmã. — ele respirou fundo — O problema na região sul se agravou. Não dá mais para adiar. Ela assentiu, tentando com a voz calma. — Tudo bem, amor. Quando você vai? O silêncio que veio depois foi curto. Mas carregado. — Nós vamos. Siena franziu o cenho imediatamente. — Nós? — o incômodo escapou antes que ela conseguisse filtrar — Vittorio, você sabe que eu não gosto dessas coisas. Ele não se alterou. Não precisava. — Eu sei — respondeu com tranquilidade — mas você precisa entender algo. Você é a esposa de um chefe. Gostando ou não… isso te envolve. Ela apoiou as mãos na mesa, insegura. — Eu não sei me portar. Não sei o que falar, nem como agir nesse ambiente. Não era resistência. Era medo. Vittorio se inclinou levemente para frente, a voz mais baixa. — Você não vai participar da reunião da cúpula. — disse com firmeza suave — Mas preciso da sua presença no jantar. É política. Aparência. Aliança. Siena ficou em silêncio por alguns segundos, digerindo aquilo. — Tudo bem… — disse por fim — Quando vamos? — Em uma semana. Ela assentiu, já organizando tudo mentalmente. — Vou ligar pra Beatrice. Vou precisar da ajuda dela. E de roupas. O canto da boca de Vittorio se curvou, satisfeito. — Eu levo você. — Prefiro ir com a Beatrice — respondeu com cuidado — Precisamos conversar… sobre tudo. O olhar dele escureceu por um segundo. — Vocês não vão sozinhas. Luca é tão possessivo quanto eu. Ele jamais permitiria. Ela revirou os olhos, mas cedeu. — Então vamos com os soldados. Mas pede pra eles agirem normal? Sem parecer que estou sendo escoltada como prisioneira. Ele suspirou, vencido. — Posso pedir. Mas eles vão continuar por perto. Naquela mesma noite, Siena ligou para a irmã. — Bea… podemos ir ao shopping amanhã? — Preciso avisar o Luca — respondeu ela rindo — mas podemos sim. — Vittorio disse que ele é um cão de guarda igual a ele. — Ele é — Beatrice riu — mas já me acostumei. Quando se trata de mim, ele late… mas não morde. Acho que o seu é igual. As duas riram juntas. — Então amanhã almoçamos lá mesmo? — Certo. Boa noite, Siena. Estou com saudades. — Eu também, Bea. — No dia seguinte, Siena acordou diferente. Ansiosa. Empolgada. E assustada. Andaram por lojas demais, compraram mais do que planejavam, mas aqueles momentos eram raros demais para serem controlados. Riram, provaram vestidos, reclamaram dos sapatos. Mas os soldados nunca se afastavam. — Eles não sabem agir normal — Siena murmurou. — Luca mataria alguém se algo me acontecesse — Beatrice respondeu — Vittorio não seria diferente. Siena respirou fundo. — Estou nervosa com esse jantar. — Eu também — Beatrice admitiu — vai ser o primeiro como esposa oficial do Luca. — Eu e Vittorio nunca demos um jantar assim. Não casados. — Luca disse que querem nossa imagem à mesa. — Bea deu de ombros — Somos símbolos agora. Siena engoliu em seco. — Todos aqueles homens… os olhares… me intimidam. — A mim também — Beatrice confessou — mas não vamos enfrentar isso sozinhas. Elas desviaram o assunto quando viram uma loja de sapatos. — Nos dias que se seguiram, a casa voltou a pulsar. Havia carinho pelos corredores, i********e nos gestos pequenos, risadas inesperadas, roupas sempre espalhadas pelo chão. Mas, entre tudo isso, a preparação avançava roupas separadas, protocolos, avisos velados. Siena sabia. Aquela cúpula não seria apenas um jantar. Seria o primeiro passo real dentro do mundo dele. E não havia mais como fingir que não pertencia a ele também Já no quarto, Siena dobrava roupas sobre a cama enquanto Vittorio observava em silêncio, sentado na poltrona, o paletó jogado ao lado. — A viagem vai ser longa amanhã — ele comentou. — Saímos cedo. — Eu sei. — ela respondeu sem levantar o olhar — Já deixei tudo separado. Não queria esquecer nada. Ele se levantou, aproximando-se. — As malas estão prontas? — Estão. — fez uma pausa — Coloquei opções demais, provavelmente. Um canto da boca dele se curvou. — Melhor sobrar do que faltar. — tocou de leve o braço dela — Quer ir direto, ou parar no caminho? Posso pedir pra ajustarem o trajeto. Ela negou com a cabeça. — Prefiro ir direto. Quero… chegar logo. Vittorio assentiu, compreendendo mais do que ela dizia. — Então dorme bem hoje. — disse baixo — Amanhã eu cuido de tudo. Siena fechou a mala, respirou fundo e o encarou. — Só… fica perto de mim lá. Ele levou a mão ao rosto dela, firme e calmo. — Sempre. Ela assentiu. Puxou a alça do vestido devagar. — Vou tomar um banho antes de dormir. Vittorio a observou por um segundo. — Posso ir com você? Ela não hesitou e de um pequeno sorriso malicioso. — Pode. O banheiro se encheu de vapor rápido. A água quente caía constante, abafando o mundo do lado de fora. O beijo calmo, logo foi interrompido pelo desejo dos dois, que estavam cada dia mais aflorado. As mãos firmes, deslizavam devagar pelo corpo dela, como se estivessem reaprendendo cada reação dela. — Eu vou marcar cada canto desta casa como os seus gritos de prazer.
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