Feanor também pegou a sua espada e ficou ao lado do amigo, não demorou muito para criaturas negras aparecerem e os atacarem ferozmente.
Gloks são criaturas tipicamente noturnas, com corpos resistentes e pedregosos, com alturas e formas diferentes, podendo um ter quase três metros e outros uns míseros cinquenta centímetros. A sua aparência já dizia o quão perigosos podem ser.
Por mais que eles lutassem, na sua pouca experiência de combate, estavam sendo derrotados facilmente, mas quando foram todos jogados no chão e desarmados, pensaram que era o fim. Quando uma sombra apareceu sobre eles com um bando de tirgues de dentes longos e maiores que prédios de três andares.
Feanor e Celegorm nunca viram uma pessoa lutar assim, muito menos controlar feras como tirgues de pelo cinzento. Assim que terminou a luta, os corpos foram arrastados para fora pelas feras.
_ Quem é você? - quis saber Celegorm, se levantando e pegando a sua espada.
Com um movimento rápido e sem olhá-lo, ela disparou, acertando o pequeno espaço entre a mão e o cano.
Celegorm gritou de dor!
Feanor tentou impedir que o estranho se aproximasse de Níniel, mas antes que o tocasse, um tirgues se jogou sobre ele.
_ Não a toque. - gritou Feanor, tentando se afastar da imensa fera sobre si.
***
Melphier observava a tentativa patética dos jovens machos em defender a fêmea e bufou irritada. Sem pensar duas vezes, chamou os tirgues e mandou que atacassem. Não foi difícil derrotar os Gloks, pelo menos para ela. Ainda se perguntava o porquê de ter interferido. Muito menos ela não entendia o porquê de ir fazer isso…
_ Não a toque. - gritou um dos machos que está sendo esmagado pelo peso de um dos tirgues. Se fosse em outra ocasião, estaria rindo da situação.
Sem nenhuma delicadeza, ela virou a fêmea para si e afastou as mangas, examinando o seu braço que estava praticamente n***o.
_ Pode ajudar? - Celegorm se aproximou devagar dela, segurando a mão de Niniel.
Melphier levantou a cabeça e o encarou, queria muito dizer várias coisas impróprias até para uma fêmea, mas se calou. Sentou-se com as pernas cruzadas e respirou fundo, se concentrando, isso ia lhe deixar esgotada por algum tempo, mas não tem outra forma. Só tinha usado isso uma vez… e foi devastador.
Começou a entoar um cântico antigo de uma língua que não era mais usada e que nem sabia como aprendeu. Sentiu as correntes percorrendo seu corpo e arcos se formando ao redor de seus braços. Círculos grandes e amarelos formaram-se enquanto canta.
_ Isso é… língua antiga! - disse Feanor, surpreso, olhando-a.
Celegorm parecia que tinha perdido a fala enquanto a via movimentar as mãos. Quando o poder tomou o seu corpo, o macho saltou para trás, assustado.
Ela sentiu os seus olhos doerem, mas depois as correntes começaram a aumentar e ficaram pesadas, fazendo-a transpirar.
_ Isso é… impossível! - exclamou, assombrado, Celegorm.
Diante dos olhos dos dois, viram quando Melphier desceu as mãos sobre o braço de Níniel e a envolveu por inteiro com o seu poder. O corpo da jovem fêmea se ergueu do chão, sendo envolto por anéis de luzes amarelas, e uma bolha n***a se formou acima dela. De acordo com a bolha, ia crescendo, o braço ia voltando à sua cor normal.
Gotas de suor escorriam do rosto de Melphier, quando terminou jogou para longe aquele veneno. Não valia o risco guardar uma coisa tão mortal!!!
Viu os machos se aproximarem da fêmea e a examinarem, percebendo que agora respira melhor e dorme tranquilamente. Mas, como estava exausta, se deitou sobre o dorso do tirgues que guardava a entrada do abrigo, mas antes, com um movimento de mãos, trancou o lugar. Ela não queria mais surpresas desagradáveis naquele fim de noite.