CAPÍTULO 09

603 Palavras
Como os músculos tensionados, ela sobe devagar, sempre testando antes se o galho suporta seu peso. Quando conseguiu atingir a altura para colher as ervas, um dos galhos partiu e ela caiu, quebrando as outras abaixo. Sem pensar nas consequências, Celegorm corre e consegue saltar e pegá-la no ar antes que batesse no chão. Níniel gemeu de dor quando ele a pôs no chão. _ O que está fazendo aqui? - grunhiu ela, furiosa por ter caído. _ Vi quando estava subindo e caiu. - mentiu ele. Níniel gritou vários palavrões numa língua antiga enquanto se apruma para subir novamente. Como a futura líder do seu povo, ela não quer demonstrar fraqueza, pior ainda sendo fêmea, num lugar onde existem tantos machos fortes e ohtars, líderes de grandes clãs que poderiam desafiar a sua autoridade. Não que desconfiasse que Celegorm faria algo desse tipo, mas tinha que se habituar a este caminho árduo. _ Deixe que eu subo para você. - lhe disse Celegorm, a vendo subir novamente na grande alda, mordendo o lábio irritado, se perguntando como pode ter deixado algo assim acontecer - Só me diga o que deseja. - pediu achando a sua mentira uma ofensa ao seu código de honra. _ Eu pego. - teimou ela, subindo. De longe, Melphier se ajoelhou para poder observar a cena que se desenrolava lá embaixo. Os tinha deixado por alguns minutos, e parece que perdeu a diversão de ver as suas pequenas presas tentando sobreviver, pelo que entendeu. Ainda se pergunta o porquê de tamanha curiosidade em seres tão insignificantes? Seria mais fácil e proveitoso capturá-los como fez com os outros e deixá-los ali à mercê das criaturas. Queria muito demonstrar àqueles jovens que caçar criaturas e matá-las sem propósito não é bom, para isso prendeu todos num local e chamou algumas criaturas para lhes fazer companhia. Uns até se urinaram de medo diante delas, sorriu com frieza, mas uns se mantiveram firmes e até chegaram a desafiá-las, teve de admitir que alguns deles tinham coragem. Melphier olha para os céus e respira o ar frio que se aproxima, a noite seria longa e fria, com ventos cortantes que poderiam fazer até o mais experiente ohtar trincar os dentes só de pensar em passar uma noite assim sem um abrigo. Seus prisioneiros estavam bem abrigados entre paredões de rocha sólida, também deixou uma fogueira próxima, sobreviveriam bem está primeira noite, mas aqueles… Grunhiu irritada, pois eles não tinham noção de onde estavam. Queria dar uma lição naquele povo, como em seus monarcas, mas não ia usar vidas inocentes para fazê-lo. Se lembrou que eles deviam ter a sua idade ou um pouco mais novos, ou velhos, mas não foram treinados como ela para suportar esta situação. Os ventos estão a soprar mais fortes agora, fazendo a alda balançar perigosamente. De longe, ela ouvia com interesse o jovem macho desesperado por causa da fêmea que decidiu subir novamente, mesmo tendo a certeza de que a queda a feriu feio na lateral. Ela devia estar sentindo muita dor! Por ser a única fêmea naquele grupo, a achou corajosa, mesmo parecendo um mostka, subindo naquela alda. Mesmo de longe, Melphier pode perceber uma pequena movimentação nas ervas onde agora a fêmea tenta alcançar com tanto esforço, pois o vento tenta levá-la para longe, já que se equilibra em uma das galhas da alda. Quando a fêmea conseguiu retirar algumas ervas que queria, um movimento a fez trincar os dentes, pois não adiantaria querer gritar para alertar, já é tarde. Níniel grita de dor ao segurar a mão ferida, onde dois pequenos furos ainda escorrem sangue.
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