Andar por jângala não é uma tarefa simples para quem era inexperiente. Além de animais ferozes e mordazes, existem os venenosos… isto sem mencionar as grandes variações de plantas carnívoras e venenosas. O mais terrível e temível de todas estas coisas não é Duscort, mas sim uma minúscula tasa-bruja morë, que é menor que a palma da mão de um ohtar, mas cujo veneno mata de uma maneira horrível qualquer ser. O ser picado por uma tasa-bruja morë é acometido por convulsões terríveis, além da pele, enegrecer e ficar como papel e todo o seu sangue esvair do seu corpo. Os seus órgãos explodiriam internamente, abrindo o seu corpo. Uma visão nada agradável!
Todos os jovens têm ciência dos riscos que correm, mas a aventura os chama para explorar o desconhecido. Eles não tinham noção do que os aguardava.
Níniel está empolgada na perseguição a uma manada de narmos, enquanto seu irmão a segue irritado, pois viu um bando de gardeon em outra direção, que para ele seria muito mais interessante, mas como deu a sua palavra ao seu atar de a proteger, a seguiu, mesmo contrariado.
Quando estavam próximos ao bando de narmos, Níniel fez um sinal para permanecer quieto. Eles nem desconfiavam que há olhos vigilantes sobre eles. Celegorm queria muito mostrar o seu valor e caçar um Duscort, queria deixar seu atar orgulhoso, mas como deu a sua palavra de proteger e ajudar as crias do grande monarca, estava ali, escondido entre as grandes aldas, observando a herdeira tentar seguir um bando de narmos. Em sua visão, as fêmeas só serviam para procriar, serem rastreadoras e curamas, mas sendo a herdeira do grande monarca, a deixava numa posição melhor que as outras. Conhecia fêmeas que gostariam de estar no lugar dela, em jângala, mas para um atar é uma desonra uma cria fêmea sua se tornar uma guerreira, pois não poderia gerar mais ohtars para suas tribos.
Ele sabia que, sendo cria do comandante do grande monarca, a sua posição era ainda mais comprometedora, pois não poderia desapontar seu atar, precisava deixar os seus sentimentos e vontades.
Ao longe, Melphier observava todos se perguntando o porquê de terem deixado uma fêmea participar de algo tão perigoso, mesmo sendo uma. Do ponto em que estava, via boa parte da jângala e tinha planejado não deixar nenhum dos animais que ali viviam ser sacrificados para um bando de crianças que se julgam ohtars se mostrarem para suas tribos. Para isto… já tinha espalhado algumas… surpresas por toda a sua extensão, não para matá-los, mas para deixá-los fora de combate. Ela sentia uma certa satisfação ao ouvir os gritos que se espalhavam pelo ar, mas aquele trio… lhe chamou muito a atenção.
O que teriam de diferente?, se perguntava, intrigada, os observando. Sem poder se conter, achou melhor ficar atenta ao pequeno grupo.
Dotada de grande compaixão por todos os seres, Níniel queria mais admirar do que matar os animais, por isso sempre que um dos narmos caía nas suas habilidades de aprisionamento, não deixava Feanor o matar, deixando seu irmão cada vez mais impaciente. Furioso com aquela situação, Feanor, quando as luzes adormeceram em númen ele saiu em outra direção, quebrando a promessa ao seu atar. Indignada, mas temerosa, a jovem herdeira permaneceu no mesmo território onde resolveu construir um abrigo para si.
Celegorm ficou na dúvida de quem deveria proteger, mas diante da fragilidade da herdeira decidiu permanecer com ela, mesmo tendo um desejo enorme de se aventurar com Feanor. Conhecia bem a segunda cria do monarca. Arriscava a dizer que eram companheiros em muitas aventuras e tinha certeza de que estariam se divertindo muito se estivessem juntos. Ambos poderiam tirar um maior proveito daquela experiência. Mas ele não sabia que outra pessoa seguia o jovem.