A campainha tocou no meio da tarde. O som ecoou pela casa vazia como uma lembrança boa, uma das poucas que ainda restavam. Por um instante, pensei que fosse ele — Leonardo, voltando como sempre: frio, mas presente. Mas o coração não se enganou. O amor que chega não pesa. Quando abri a porta, lá estava ela. Minha mãe. Com os cabelos presos, o mesmo sorriso cansado e o olhar que sempre me via além das minhas próprias ruínas. — Mãe… — sussurrei, antes que o choro me traísse. Ela me abraçou sem dizer nada. O tipo de abraço que desfaz muros, que cura feridas sem precisar de remédio. Senti o cheiro do perfume antigo dela e, por um instante, fui criança de novo. — Eu não podia mais ficar longe — disse, quando me soltei. — Seu silêncio doía mais do que a distância. — Desculpa, mãe. Eu

