Eu não queria discutir naquele dia. Queria paz. Queria respirar. Queria segurar o Breno, sentir o cheiro dele, ouvir seu som de vida recém-descoberta. Mas Leonardo parecia ter um dom para aparecer justamente quando eu tentava encontrar algum silêncio por dentro. Eu estava no quarto do bebê, dobrando as roupinhas minúsculas, quando ouvi a porta bater lá embaixo. Passos firmes subiram a escada — passos que eu já reconhecia sem ouvir, que o corpo reconhecia antes mesmo da mente processar. Ele apareceu na porta. Alto. Impecável. Com aquele olhar frio demais para esconder o que ardia por baixo. — Precisamos conversar — ele disse. Não pediu. Informou. A velha forma de Leonardo agir. A forma que antes me esmagava. Mas agora… Eu ergui o queixo. — Sobre o quê? — Sobre ele. — resp

