A chuva começou quando ela saiu da cidade. Eu vinha dirigindo a uns cinquenta metros de distância, observando apenas o brilho das lanternas vermelhas do carro dela à frente. Não sei o que esperava encontrar. Talvez paz. Talvez perdão. Talvez só a certeza de que ela ainda existia — viva, respirando, mesmo que longe de mim. Mas o que encontrei foi o medo. Aquele tipo de medo que corrói a razão e apaga tudo em volta. Quando o carro dela começou a diminuir a velocidade, algo em mim travou. As luzes de freio piscaram uma, duas, três vezes. Depois, o veículo parou completamente no acostamento. — Isabella… — murmurei, sentindo o coração disparar. Parei atrás dela e desci antes mesmo de desligar o motor. A chuva batia com força, o vento cortava o rosto, e cada passo parecia pesar uma

