A chuva parecia ter vindo para me castigar. Fazia horas que ela caía sem parar, lavando o mundo lá fora, mas nada limpava o que eu sentia por dentro. A cada trovão, eu lembrava do toque dele. A cada raio, do beijo que nunca deveria ter acontecido. Fechei o diário e tentei dormir. Mas o corpo ainda queimava — não de febre, e sim de lembranças. Aquelas mãos, aquele olhar, aquele som rouco da voz dele quando disse “não consigo te esquecer”. Eu queria odiá-lo. Mas o problema era simples e c***l: já não sabia como. O relógio marcava quase meia-noite quando ouvi passos no corredor. A porta se abriu sem aviso. E ele estava ali. Leonardo. O homem que eu jurava detestar. O mesmo que me fazia perder o ar só por existir. — O que está fazendo aqui? — perguntei, tentando soar firme. — T

