Eu não dormi. Talvez porque o sono tenha medo de quem sente demais. Ou porque, às vezes, o silêncio da madrugada é o único que tem coragem de ouvir a dor que a gente esconde. Fiquei deitada, imóvel, olhando o teto. As sombras dançavam pelas paredes, e eu contava os segundos pra não enlouquecer. O som do relógio era o mesmo desde o dia em que ele duvidou de mim — constante, c***l, lembrando que o tempo passa mesmo quando o amor não consegue acompanhar. Na manhã seguinte, decidi que não dava mais pra calar. Não por vingança. Mas porque havia dentro de mim uma necessidade absurda de gritar, de devolver o que ele me jogou sem perceber: a dor. Leonardo estava no escritório, como sempre. Papeis espalhados, o computador ligado, mas os olhos dele perdidos em algum lugar que não era o pre

