Ele estava perto demais. Perto o suficiente para que eu sentisse o calor do seu corpo, o cheiro da sua pele misturado ao perfume amadeirado que parecia sempre me perseguir. O ar entre nós parecia denso, pesado, quase palpável. O som da minha própria respiração denunciava o quanto eu queria que ele não se afastasse. Meu coração me traía, batendo desesperadamente, como se tentasse me alertar de que eu estava cruzando uma linha da qual não haveria retorno. Era como estar à beira de um abismo prestes a cair, e no fundo, eu sabia que já estava despencando. Ainda assim eu não queria recuar, não senti vontade. Os olhos de Dante me encaravam com uma intensidade que me deixava sem ar. Havia algo ali que me atraía e me destruía ao mesmo tempo. Ele era o perigo disfarçado de refúgio, a tentação ves

