Capítulo 125

1620 Palavras

BRUTUS A cela não é de concreto. É de gelo. Um gelo que queima por dentro, que se infiltra nos ossos e congela o sangue nas veias. E o pior não é a p***a da comida, o cheiro de mijo, o barulho dos outros presos. O pior é a minha própria cabeça. Ela virou uma sala de tortura, e o carrasco sou eu mesmo. O medo. Um bicho rastejante, sibilante, que se enrola na nuca e sussurra merdas no meu ouvido quando a noite fica quieta demais. O medo de perder ela. A Betina. Minha gata. Minha loira. Minha vida. Ela tá lá fora. Livre. O sol bate na pele dela, o vento brinca com o cabelo. E eu? Tô aqui, nesse cubículo de merda, alimentando um sentimento que eu nunca achei que fosse caber em mim: impotência. Eu, que sempre controlei tudo, desde o fluxo da boca no morro até a cor da cortina

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