BEN Mano, faz um mês que eu assumi o morro, e, p***a, parece que foi uma vida inteira. O peso de ser o dono tá me esmagando, como se eu carregasse o morro nas costas. Sou o filho do Brutus, o chefe que todo mundo respeita, e agora os olhares do bonde tão em mim, esperando que eu seja como ele. Mas o olhar que mais me pega é o da minha mãe. A Betina, que me criou, me olha como se visse o meu pai, preso na cadeia, refletido em mim. Mano, esse olhar mistura orgulho, medo e tristeza, e cada vez que eu saio pro QG, sinto ela querendo me segurar. — Ben, toma cuidado. — diz ela, com a voz tremendo. Eu sei que ela tá com medo de me perder pro morro, como perdeu o pai. E, p***a, eu também tô com medo, mas não posso fraquejar. No meio dessa loucura, a Luana é meu refúgio, minha paz. Nosso na

