Guilherme Algumas correntes são visíveis: ferro, cadeado, parede grossa. Outras são melhores: invisíveis, apertando sem que o dono perceba que deixou alguém passar o laço. A cela continuava a mesma — concreto frio, grades reforçadas, câmera no canto, o barulho distante da casa repartida entre guerra e reconstrução. O tempo ali dentro corre diferente. Não por tédio, mas porque cada segundo é medido pelo que acontece lá fora. Hoje, por exemplo, o som dos passos era outro. Não o compasso rígido dos guardas novos, treinados sob o comando de Viktor. Era uma passada familiar, um pouco mais pesada no calcanhar direito, como se arrastasse um hábito antigo. Sorri antes mesmo de ver o rosto. A tranca girou. O visor levantou. O guarda entrou. — Há quanto tempo, Luís — cumprimentei, inclinando

