Lucas tinha me deixado na faculdade um pouco mais tarde do horário que eu estava acostumada a chegar. Tivemos um imprevisto na cama que me fez atrasar uns 20 minutos. Acordar todos os dias com o Lucas me provocando, era uma coisa de outro mundo.
Chego na sala, e vejo o meu lugar desocupado. A aula já tinha iniciado há uns 10 minutos, e para não atrapalhar o professor, decido me sentar nas cadeiras do fundo.
Recebo uma mensagem no celular de Lucas, “Espero que tenha um ótimo dia”. Abro um pequeno sorriso, e volto a minha atenção para o senhor que está apresentando a aula.
No segundo horário, a aula seria no laboratório. Confesso que estava mais animada do que com medo. Seria uma experiência única na minha vida. O professor Adalto nos explicou todo o sistema funcional do corpo dos animais. Do mais pequeno para o maior.
- Eu jurava que ia ser pior – Diz Rafael abrindo o pequeno sapo na minha frente. - Só de pensar que na próxima aula, estaremos abrindo os corpos de cachorrinhos, ou coelhinhos fofinhos, fico triste.
Por mais engraçado que a frase do Rafael tenha sido, eu concordava com ele. Eu tinha escolhido o curso de medicina veterinária para ajudar os animais, e pensar que as vezes isso não poderia ser possível, me arrepiava de tristeza.
- Prefiro pensar nisso na semana que vem – Complemento.
A aula passou bem rápido. Digamos que o prático é mil vezes melhor que o teórico, embora ambas sejam importantes no nosso currículo. O último sinal tinha tocado, e sigo para a saída da faculdade com o meu colega de classe.
- Bom, Malu! Acho que por hoje é isso... Te vejo amanhã? - Rafael diz enquanto descemos a escadaria do prédio.
- Com certeza, Rafa! Obrigada por me acompanhar no laboratório... Foi mais fácil do que eu pensei – Digo.
- É com o maior prazer, estarei aqui nos próximos 5 anos para te ajudar! - Ele diz beijando o meu rosto.
Rafael sai da minha vista, e eu fico observando a sua ida até o campo da faculdade. Ele realmente seria um problema na minha vida? Eu não sentia nenhuma malícia da sua parte. Rafa era um rapaz bem apresentável. Era alto, dos cabelos pretos, e da pele morena. Tinha uma boca bem carnuda, e isso era algo que chamava bastante atenção nele.
- Posso saber o que a senhorita está olhando? - Leo cochicha no meu ouvido.
- Que susto menino! - Dou um t**a leve no seu ombro. - Nada, só estava... - Não concluo a minha frase, e tento mudar de assunto ao mesmo tempo – O que faz aqui? Pensava que ia ter aula extra hoje.
- Pois é... Se tivesse dormido no seu dormitório ontem, saberia que eu não ia ter hoje – Ele diz beijando a minha testa. - Está indo para onde?
- Para o meu dormitório, estou precisando estudar um pouco mais. - Digo cruzando os meus braços com o meu melhor amigo. - Mas antes, preciso comprar cafeína para mim, vamos comigo?
- Com toda a certeza do mundo – Leo me responde.
Seguimos em direção a uma cafeteira que tinha ali perto do campus. Comprei dois copos de café, e Leo acaba achando engraçado.
- Tem algo que eu preciso saber? - Ele dá a sua primeira golada no seu chocolate quente.
- Bom, você sabe que agora, além de ser o meu melhor amigo, é também o meu cunhado... então não sei o que eu devo ou não contar para você.
Ao ouvir aquelas palavras de mim, Leo começa a caminhar lentamente para fora da cafeteria.
- Malu, antes deste seu relacionamento com o meu irmão, eu sempre fui o seu melhor amigo... conversávamos de tudo. Sei que fui b****a com você por um bom tempo, mas quero que saiba que aquilo tudo, foi por ter medo de perder você - Ele para de andar, e começa a me encarar. - Mesmo você sendo totalmente errada no relacionamento com ele, eu sempre vou te apoiar... E caso seja necessário, vou te orientar também... Como fazíamos antes.
Sinto um alívio ao ouvir as suas palavras. Era tudo o que eu queria. Saber que o meu melhor amigo estava ali para mim.
- Bom... Fico aliviada de ouvir isso! Amo você, Leo! E nada nesse mundo pode apagar o que eu sinto por você - Pego a sua mão, e dou um beijo. - Vou te explicar então o que aconteceu nos últimos dias.
Leo me escuta atenciosamente em todos os detalhes que eu mencionei na nossa conversa. Iniciei desde o dia da festa na casa de um amigo do Lucas, até ontem. Leo deu risada de algumas situações, mas pediu para eu pular os detalhes de s**o que envolvia o seu irmão.
Nesse meio tempo, recebi umas 4 chamadas do Lucas, mas como estava desabafando com o meu melhor amigo, acabei optando por não o atender.
- Eu se eu fosse você, tomava cuidado com a Natalie. Ela era uma ótima cunhada, mas sempre foi geniosa. Se ela realmente quer ter o Lucas de volta, ela não vai desistir tão fácil.
Não era o que eu queria ouvir, mas fico aliviada por ele ser sincero comigo.
Quando chegamos no meu quarto, Milena estava beijando uma menina na cama.
- Opa, podemos participar da festinha? - o meu melhor amigo lança a sua pérola.
Dou um t**a leve no seu peito para calá-lo.
- Desculpa, amiga! Não sabia que você estaria aqui... com alguém! Podemos voltar depois se você quiser – Digo jogando a minha bolsa na cama, e indo em direção à porta.
- Não! Não precisa, Malu! Eu tenho um compromisso com a Bia agora, e mais tarde eu estou aí - Ela diz se levantando da cama. - Podemos ir? - Ela pergunta para a jovem ruiva que já estava em pé ajustando a sua roupa.
- Sim, claro! Bom... Prazer em conhecê-los – Ela passa por nós e sai com a minha melhor amiga do quarto.
Eu e Leo olhamo-nos, e ficamos surpreendidos com a cena que a gente tinha acabado de ver.