Meu celular vibrava sem parar dentro da mochila, mas eu simplesmente ignorei. Não queria — não podia — lidar com mais nada hoje. Só queria ir para casa, tomar um banho e fingir que a minha vida não estava uma bagunça completa. Mas o universo raramente colabora com os nossos planos. — Malu! — Ouvi o meu nome ser gritado. A voz era firme, seca, carregada de raiva. O tipo de raiva que faz o estômago revirar. Virei devagar, já sabendo quem era. E lá estava ele: Lucas. O maxilar travado, as mãos cerradas em punhos, os olhos me queimando como lâminas afiadas. — O que foi? — perguntei, tentando soar firme, mas a minha voz tremia. Ele se aproximou com passos pesados, estendeu o celular quase me empurrando com a força do gesto. — Isso aqui é o quê, Malu? Hein? Explica essa m***a! — A voz del

