Cap. 4

1015 Palavras
O sentimento amenizou quando entrou no grande e belo salão de baile. Todas as pessoas estavam bem vestidas e conversavam umas com as outras com cortesia. Não era nem de longe um baile como o de Londres, mas era tão bonito quanto, senão mais ... Uma jovem cantora ecoava sua doce voz pelo salão e Bella riu sozinha, apostando consigo mesma que Ruan a levaria dali em seus braços. - Compartilhe comigo a graça, senhorita. - Charles disse, praticamente ao pé de seu ouvido causando-a um arrepio incontrolável. Ele lhe concedeu o braço, ainda que Ruan também os tivesse acompanhando, Charles era o Visconde e ser vista com ele seria muito mais prestigioso aos olhos da sociedade. - Bobagens, não iria querer saber. - Ela respondeu rindo. - Não vamos esperar por Ruan e os outros? - Chegamos a conclusão que se pode atrair a atenção de algum cavalheiro bem intencionado, será ao meu lado. Eles virão logo após. Ela engoliu em seco, quão cego podia ser para não perceber que não queria cavalheiro algum que não fosse ele? - Mesmo? .- Perguntou com ironia arqueando uma sobrancelha. - Então diga-me, qual lógica usaram para chegarem a essa conclusão? Charles sorriu e como sempre, o coração dela sobressaltou-se. - Bella, os homens gostam de tudo que outro homem poderoso toca, modéstia a parte. Eles ficarão encantados quando vê-la ao meu lado, visto que geralmente não frequento bailes e tampouco trago damas para um. - Mas e quanto a garota que está cortejando? Ela não achará r**m? Ele a encarou confuso. - Minha mãe tem mesmo uma língua muito grande. - Disse entredentes e ela não pôde segurar uma risada. Charles apontou com a cabeça para uma jovem loira, pálida e de olhos claros. Apesar da aparência frágil era uma garota muito bonita, praticamente uma boneca. - Lady Daniela, uma garota doce, bonita como bem pode ver, engraçada até ... Mas por Deus, a menina parece viver em outro mundo. Seria interessante nos primeiros meses, certamente, mas e o resto dos anos? Bella arfou, era engraçada a forma como ele e Ruan falavam com ela como se ela fosse um homem. Cavalheiro nenhum diria coisas tão intímas para uma dama como eles faziam, e isso só reforçava-lhe a ideia de que Charles nunca, em hipotese alguma a veria com outros olhos ... - Compreendo seu pensamento, e devo admitir, faz todo o sentido. Eles foram cumprimentados pelos anfitriões do baile beneficente e em seguida por um milhão de outras pessoas. Charles era certamente muito influente naquele meio, isso devia admitir. - Ai estão vocês. - Ruan e Leandro chegaram na frente e logo atrás vinha Isobel e Suzzie. - Por que demoraram tanto? .- Questionou-lhes Bella. - Nosso querido Ruan fez questão de beber demais dentro da carruagem e m*l conseguia se manter de pé, bebeu feito um bode e tivemos que esperar até que conseguisse andar. - Respondeu Leandro passando o braço em volta do ombro do amigo. - Cale a boca. - Retrucou o outro. Charles bufou. Tentava não agir como se fosse o pai de seu irmão mais novo, evitava dar-lhe broncas, pois sabia que ele odiava, mas Ruan deixava as coisas cada dia mais difíceis. Agia com impulsividade e irresponsabilidade, seu nome era citado nas rodas como '' o irmão imprudente ''. - Deviam tê-lo colocado na carruagem de volta para casa. - Resmungou e antes que Ruan tivesse a chance de rebater o comentário ácido do irmão, Charles pegou a mão enluvada de Bella. - Me concede essa dança? Diante do toque gentil, ela ruborizou-se novamente ... Maldição, detestava com todas as forças quando não conseguia disfarçar. - Claro. - Sussurrou em resposta e pelo canto dos olhos jurou ter visto Ruan fazendo uma assutadora careta. Bella suou frio e sentiu queimar por dentro de seu corpo quando Charles colocou a mão em sua cintura. Uma confusa e deliciosa mistura de sensações se apossou de seu corpo e para o espanto dele algo estranho também o ocorreu. Poderia facilmente contar quantas sardinhas ela possuia na bochecha de tão perto que estavam e sua mão firme e grande pareceu encaixar-se perfeitamente na esguia cintura de Bella ... Por Deus, estava a muito tempo sem uma mulher, focado demais no trabalho e em suas obrigações, estava enlouquecendo pelo simples fato de ver Bella como algo além do que ela era : uma velha amiga, uma criança, uma menina e céus, precisava entender que ela não passava disso. Eles seguiram os passos como a dança pedia, de um lado para o outro, um simples giro e novamente, corpos juntos ... Tudo aquilo parecia uma loucura, nunca tinha estado tão perto de Charles depois que debutara e nunca o tinha visto tão gentil em toda sua vida. Evitava criar qualquer tipo de esperança quanto a ele, mas como poderia? Passara toda a sua vida amando aquele homem e de repente, ela a tratava como se fosse uma princesa. Conversava com ela, lhe fazia rir e lhe tirava para dançar. Tocava-lhe de forma gentil, mas firme. Bella não tinha certeza de muitas coisas na vida, mas sempre soubera de algo : Amava-o e o amaria até o último dia de sua vida. Não importava-se se ele se casaria com uma bela Portuguesa, ou se preferiria uma Inglesa, seu coração sempre pertenceria a ele, mesmo que nunca o tivesse para si. Charles fez uma curta mensura quando a dança acabou, abriu um sorriso fraco para Bella e se afastou. Precisava colocar as ideias em ordem e precisava ficar longe dela. Ele caminhou em passos decididos até Lady Daniela e lhe solicitou uma dança. A noite de Bella que estava oscilante, piorou mais uma vez. E com um olhar entristecido, ela saiu de fininho para a varanda, precisava tomar um ar. Talvez no final das contas, a falta de inteligência de Lady Daniela não fosse um empecilio tão grande assim e uma simples dança não podia ser capaz de lhe fazer criar tantas expectativas, Charles nunca sequer a tinha olhado de outra forma e talvez nunca o fizesse.
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