CAPÍTULO 7

1651 Palavras
Não importa o que aconteça depois, eu gosto do avô de Pablo. Tenho certeza que ele falará com Pablo também, mas um pouco mais tarde. Acho que o velho tem algumas perguntas para ele. Quando saio do escritório, ele já está me esperando no corredor. Ele se afasta da parede e olha para mim com atenção. Pergunto-me o que ele procura. — Você esteve aqui durante toda a nossa conversa? — Vovô pergunta — Você não confia em mim? — Você sabe a resposta — Pablo rosna. — Vamos voltar para a mesa. Acho que todos deveriam ouvir notícias maravilhosas. — Vovô, você deve entender que não é aconselhável revelar a identidade do verdadeiro pai da criança — Pablo diz lentamente —Não é do seu interesse, e definitivamente também não é do meu. — Claro — sorrisos — Certamente não é do seu interesse. Voltamos com os convidados, e a mãe de Pablo se levanta imediatamente. Parece-me que ele está à espera de alguma coisa. Talvez eu esperasse que o vovô me expulsasse, mas isso não aconteceu. — Queridos convidados, meu neto me deu o melhor presente hoje — diz avô, enquanto Pablo me abraça pela cintura. Sentir a mão dele é meio estranho, mas mantenho minha posição. Não quero que ninguém perceba o quanto estou nervoso — Vou ser bisavô! Todos começam a aplaudir, e a mãe de Pablo suspira de decepção. Não posso culpá-la por não me aceitar. É demasiado complicado. E Pablo é responsável por toda a confusão atual. — Parabéns, Sr. Gustavo! — diz um homem na casa dos cinquenta — Agora você tem um motivo para viver pelo menos mais vinte anos. — Isso é certo! — responde uma mulher na casa dos trinta. Não conheço essas pessoas e, mesmo que me apresentem todas elas agora, duvido que eu me lembre de um nome. Sentámo-nos à mesa ao lado da mãe da Pablo. Ela está à minha direita, enquanto está à minha esquerda. — Por que eles não notificaram sobre o casamento? — pergunta o mesmo homem — Irmã, qual é o mistério? Olhe para a mãe de Pablo e eu entendo que eles não são apenas parentes. Ele é irmão dele. — Mamãe não sabia de nada — Pablo responde por ela — Ninguém sabia. Não queríamos uma grande celebração. O que importa agora é o estado emocional da minha esposa e a saúde do bebê. Todo o resto é irrelevante. Então começam as discussões sobre se um casamento é realmente necessário. Para me acalmar um pouco, decido comer. Tudo na mesa parece tão apetitoso que simplesmente não consigo resistir. Coloco um pouco de tudo no meu prato e, quando estou prestes a comer, percebo que Pablo está olhando diretamente para mim. — O quê? — Pergunto de forma um tanto desconfortável. — Aproveite — sorria. Bem, se ele está de bom humor, então tudo deve estar indo como planejado. Dou um baixo obrigado e começo a comer. A certa altura, todos parecem esquecer-se de nós, ou pelo menos fingir que o fazem, e mudar para outros tópicos. A única coisa que não me deixa em paz é a mãe de Pablo sentada ao meu lado. A tua tensão afecta-me. Desejo com todas as minhas forças que Pablo explique tudo o que disse ao avô. Não sei se ela vai me entender ou não, mas acredito que, como mãe de Pablo, ela tem o direito de saber a verdade. Os hóspedes não ficam muito tempo, ou talvez estejamos atrasados com Pablo. E quando começam a sair, todos vêm até mim e me abraçam. Eles até me beijam na bochecha. É simpático. Fui aceito nesta família. Todos, exceto Caio e sua mãe. — O que tudo isso significa? — ela pergunta enquanto a porta se fecha atrás do último convidado. — Sr. Monica, relaxa! — Vovô intercede. — Relaxar? — a mulher explode de indignação — Que tipo de jogos são esses? Quem é essa garota? — Eu mesmo já disse isso... — Mónica, Maitê esposa de — o avô responde novamente —, mas ela está grávida de Max. — O quê? — Sinto sinceramente pena desta mulher. Tenho a impressão de que ele pode desmaiar a qualquer momento. Como podem tratá-la assim? — Posso explicar sozinho? — Eu pergunto. Acho que vou fazer melhor do que estes dois homens. — Explicações suficientes para hoje — Vovô franze a testa — Pablo, vá agora, eu cuido de explicar tudo para sua mãe. Acho que Pablo não precisa ser questionado duas vezes. Pegue minha mão e seguimos para a saída. Sinto que ele também está cansado de tudo isso, e não estou errado. — Preciso urgentemente de uma bebida —ele rosna enquanto estamos sentados no carro. — Você começou tudo isso sozinho — Eu digo a ele, olhando para ele. — Esse é o problema —suspira—. Vamos lá. Levo-te para casa, e depois vou para o bar. Preciso desabafar. Maravilhoso! Pablo continua a comportar-se como se nada tivesse mudado. E eu deveria me importar, mas por algum motivo isso não acontece. Sinto-me tremendamente cansado. Esta noite consumiu muita da minha energia. É assustador pensar no que virá a seguir. Principalmente quando Caio retorna. Mesmo que ele tenha desistido do nosso filho, tenho certeza de que ele não gostará do que Pablo fez. Só temos que esperar seu retorno para ver se minhas suposições estão corretas. Pablo me acompanha até meu apartamento, se despede secamente e vai embora novamente. Talvez seja melhor assim. Quando estou sozinho, sinto-me muito mais seguro. Enquanto fazia chá, lembro-me de planejar passar na loja no caminho para casa. Parece que terei que ir amanhã. Ligo para Dalila para contar a ela sobre esta tarde e, incidentalmente, sobre o desaparecimento de Pablo Meu amigo ouve o que eu digo e depois começa a comentar. — Seja como for, é compreensível que a mãe de Pablo tenha ficado chocada — diz meu amigo, soltando uma risada — Graças a Deus o vovô acabou sendo sensato. Tenho certeza de que ele é muito mais sábio que o neto. Ele também deve ter ficado surpreso com o que aconteceu, mas permaneceu com dignidade. E o pai? O que fez? — Honestamente, eu não sabia qual dos homens à mesa era o pai de Pablo — medito em voz alta — Ou talvez nem estivesse lá. ‍ ‍ — E agora? — Dalila pergunta — Eles aceitaram você na família. Agora você pode desfrutar de todos os privilégios. — Não preciso de nada mais do que poder terminar meus estudos — eu respondo. — Maitê, você dará à luz em dezembro! Por mais que você queira, você terá que adiar seus estudos. Eu entendo bem, mas preciso da minha educação. Eu me esforcei muito para obter meu diploma, e agora... Não me arrependo de ter decidido ter minha filha. É difícil aceitar que minha vida mudou tão drasticamente. Tenho que fazer coisas que não quero fazer para garantir que minha filhinha tenha o que precisa. Depois de conversar com Dalila, vou tomar banho e depois dormir. Gosto muito da cama nova, assim como de todo o quarto em geral. Posso me sentir como uma princesa, mas não sou. Eu nem cheguei perto. Só preciso me acomodar bem e logo adormeço, feliz que esse dia finalmente acabou. Na manhã seguinte, acordo devagar. Não quero me livrar da cama tão confortável que quase parece uma nuvem. Eu me visto, faço maquiagem leve e vou para a cozinha, onde Pablo já está sentado com uma xícara de café e seu telefone na mão. Ele está vestido de terno, então meu marido está pronto para ir trabalhar. — Bom dia! — Digo um pouco nervoso. Parece que ainda vou precisar de tempo para me habituar à minha nova rotina. — Olá! — Pablo parece bem descansado e, como sempre, impecável. Ele olha para minha roupa e fixa o olhar no meu rosto um pouco mais do que o normal — Como você dormiu? — Maravilhoso — eu digo — Não escutei quando você chegou. — Pouco depois da meia-noite — responde — Eu te levo para a universidade. Avise-me quando terminar suas aulas e meu motorista irá buscá-lo. — Às duas — eu digo rápido —Mas quero passar pela loja. Só há um copo no seu apartamento. Aponto para a xícara, lembrando que ontem coloquei chá nela. — VERDADE! — Pablo tira a carteira do bolso da jaqueta e tira um cartão. Ela coloca na mesa e eu olho para ela perplexo — Você pode comprar tudo o que precisa. Há dinheiro suficiente no cartão. — Eu não posso fazer isso — sussurrar. — Porque? — Pablo pergunta, claramente surpreso — Você é minha esposa, Maitê. Você esqueceu? No contrato que você assinou, há uma cláusula que diz que cuidarei de você e do bebê. Sempre pensei que você cuidasse daqueles que não têm nada... É doloroso pertencer a esse grupo. E agora também a minha filha. Minha mão treme enquanto pego o cartão. Não vou comprar tudo, apenas o essencial. — Obrigado — diga. — Sem problemas — Pablo sorri — A propósito, Caio estará de volta em breve. Estou lhe contando isso para que você esteja pronto para ver. — Você disse que não havia motivo para se preocupar — Não entendo. — Farei o meu melhor para não incomodá-lo, mas nem sempre posso estar com você. É importante saber que Max pode ficar bravo. Nós trapaceamos. — Você fez isso! — Eu exclamo. — Sério? — Ele diz, quase rindo, e eu sinto um nó na garganta que é difícil de engolir— Café da manhã. Partimos daqui a dez minutos. Pablo sai da cozinha para seu quarto, enquanto olho para a xícara que ele deixou na mesa e percebo que hoje ficarei sem chá. Pelo menos até eu comprar outra xícara.
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