Henrique acordou sentindo a cabeça pesada, um pouco aéreo, sem conseguir distinguir o tempo achou que estava de noite, quando viu a claridade ficou confuso, precisou de um tempo até conseguir reorganizar os pensamentos, olhou o celular e percebeu que estava muito atrasado.
Se levantou com pressa já gritando pela mulher...
- LINA! LINA ESTOU ATRASADO CADÊ VOCÊ?
Ele não sabia encontrar as próprias coisas, desde que se casaram fez de Angelina uma espécie de empregada com benefícios, benefícios para ele claro, porque além de ter alguém que limpasse a casa, lavasse e passasse suas roupas, cozinhasse, ainda tinha alguém que lhe servia na cama. Na verdade o que acontecia no quarto do casal nunca pode ser chamado de sеxο, tudo o que Angelina experimentou em motéis caros e as vezes até mesmo dentro do carro em aventuras quentes e cheias de carinho desapareceu completamente depois que se casaram.
Sobrou daquele sonho um pouco da aparência extremamente atraente do policial e os chocolates “du Jour” que ela amava e que quando estavam se encontrando Henrique levava para ela, agora quase sempre depois de uma surra ele trazia uma trufa “du Jour” ou as pipocas de chocolate, enfim, o que havia sobrado não se parecia com o passado.
Subiu as escadas correndo, entregou a toalha para Henrique, esperou para ajudar a arrumar a camisa, separou os sapatos e as meias.
Uma coisa simples, mas o coração batia angustiado como se a qualquer minuto algo pudesse dar errado, mas quando Henrique saiu do banho apenas de toalha não brigou com Angelina.
Henrique havia descansado, não dormia tão bem há muito tempo, na verdade desde que ingressou na força policial e quando viu a esposa esperando por ele segurando o cabide com o olhar assustado achou Angelina tão frágil, se arrependeu da forma como a tratou no dia anterior, apesar disso, não tinha o hábito de se desculpar.
Pegou a camisa das mãos da mulher, e colocou sobre a cama, se aproximou de Angelina devagar, procurou em si mesmo o dҽsҽjơ que sempre sentiu por ela, estranhou o próprio corpo, por mais que tentasse se concentrar não conseguia. A mulher fechou os olhos e deixou que o marido a tocasse, sempre agia assim, já não sentia prαzer com Henrique há muito tempo, não que ele tivesse mudado nesse sentido, na cama ainda era viril, forte, tinha habilidades perfeitas, mas o corpo parecia não responder mais a ele, cansou de se entregar chorando e torcer para acabar, achou que seria só mais uma vez.
Para ela dizer que estava com dor de cabeça, menstruαda, indisposta e todas as outras coisas que seriam desculpas perfeitas para evitar o toque do marido, no caso de Henrique só o deixavam irritado, terminariam discutindo e ele teria o que queria de qualquer for, muitas vezes a machucava embaixo, aprendeu a apenas fingir que queria, evitava as surras e achava que assim estava evitando os estuprơs.
Naquela manhã ele tirou a roupa de Angelina, tocou seu corpo, a beijou, mas não conseguiu se excitar, ficou frustrado e deu uma desculpa.
- Vamos jantar fora essa noite e te compenso, mas estou atrasado.
Quando Henrique se afastou Lina soltou o ar aliviada, lembrou de Vitto, o que ele causou apenas por se aproximar dela, havia ficado claro o interesse, o italiano não fez nenhum esforço para disfarçar. O novo vizinho possuía um ar naturalmente conquistador, um jeito charmoso de quem sabia que era mortalmente bonito, sem contar a segurança que fazia com que o universo parecesse apenas um palco para que o italiano se apresentasse.
Do outro lado do quarto, Henrique colocava as roupas preocupado, nunca teve problemas de impotência sexuαl, aliás ao contrário, chegava a sair com duas ou três mulheres em uma mesma noite e deixá-las satisfeitas. Parou quando conheceu Angelina, a achava deslumbrante, tão bonita que se irritava com isso, com a forma que mesmo que ela não se arrumasse ainda chamava a atenção dos amigos dele apenas por existir.
A achava inteligente, gentil, doce...não entendia o porquê não conseguiam ser felizes, se punia todos os dias por isso, parecia que seus sonhos se tornavam pesadelos assim que eram alcançados. Angelina era o tipo de mulher que qualquer homem ficaria honrado em ter como esposa, mesmo assim, as brigas pareciam inevitáveis, sempre acabava se descontrolando e ferindo a mulher, agora se via também, incapaz de satisfazê-la, saiu determinado a procurar alguma aventura, qualquer uma, havia dezenas de mulheres que o procuravam, a profissão facilitava. O imaginário popular induz garotas a se sentirem atraídas por policiais, na mesma proporção em que são atraídas para os bandidos e pela mesma razão, proteção...
Vitto estava esperando que Henrique saísse, queria conversar com Angelina, mesmo que fosse breve, apesar disso, tinha planos maiores, só precisava que ela aceitasse e torcia para que sim.