INQUIETA

1027 Palavras
Freya Desde o momento em que eu ajudei Andrew a levantar e fiquei conversando com ele por alguns minutos, eu não consegui tirá-lo do meu pensamento. Eu não conseguia esquecer daquela nossa conversa por algum motivo e isso estava me afetando mais do que eu queria admitir. Eu não consigo entender como eu falei tanto sobre mim. Não é fácil para mim falar com outras pessoas a não ser que eu tenha que socializar em algum evento importante, mas isso é por causa do trabalho. Mas quando se trata de falar com pessoas ainda desconhecidas para mim que sabem realmente o que eu faço, parece estranho e difícil para mim. Mas por algum motivo, Andrew me deixa à vontade, como se o fato de apenas ficar perto dele derrubasse todas as minhas defesas. É fácil falar com ele e a conversa simplesmente flui naturalmente. É realmente estranho. Estou tentando, estou realmente tentando esquecer esse momento e seguir em frente com a minha vida, mas antes que eu perceba, eu estava pensando nele novamente. Caminhei inquieta de um lado para o outro no quarto, eu não tinha nada para fazer hoje e isso estava me deixando louca. Eu tentei ficar ocupada por tanto tempo quanto possível. Os únicos momentos em que eu me permitia descansar era durante as refeições e quando eu ia dormir. Mas hoje, Pandora decretou que todos nós deveríamos descansar e fazer algo para relaxar. A maioria de nós saiu para algum lugar, mas eu me sentia tão inquieta que não sabia o que fazer ou para onde ir. Continuei fazendo o mesmo movimento por mais alguns segundos, depois desisti e resolvi sair e caminhar até a praia. Talvez um tempo sentindo a brisa do mar no rosto seja uma boa opção. Felizmente, o sol está coberto por várias nuvens hoje e parece favorável para mim. Na maioria dos dias eu evito sair quando o sol está fora. Por ser albina, eu preciso ter muitos cuidados com exposição ao sol e outros fatores. É uma rotina que eu sigo desde que eu me lembro e se eu não fizer, as consequências podem ser sérias. Por via das dúvidas, tratei de passar protetor solar e peguei um chapéu. Caminhei calmamente até a praia e com os pés descalços senti a areia em contato com a minha pele. Era uma sensação boa, sentir a areia fina massagear meus pés. Fechei os olhos e aspirei o vento salgado que vinha do mar, era relaxante. Sentei na areia e contemplei aquele horizonte azul que parecia não ter fim e simplesmente fiquei ali em silêncio, apreciando aquele momento de paz e quietude, onde até a minha cabeça sempre barulhenta pareceu silenciar. Acho que isso é realmente um momento de preciosa paz. O vento começou a aumentar e ficar mais frio. Olhei para o céu que estava pesado com nuvens negras. Eu soube imediatamente que estava prestes a chover, mas eu ainda não queria romper aquele momento tão precioso. Não era sempre que eu encontrava tanta calma dentro de mim e eu queria aproveitar mais um pouco desse sentimento. Mais cedo do que eu imaginava, a chuva começou a cair, mas eu não me importei, na verdade, achei a sensação da água descendo pela minha pele deliciosa. Antes do que eu imaginava eu estava encharcada. As gotas de água caiam em rápida sucessão, mas mesmo encharcada, eu não levantei e sai dali. Era uma sensação tão boa a que eu estava sentindo, um sentimento de liberdade que eu não conseguia entender o porque de sentir isso. Eu não estava presa a ninguém, eu tinha uma vida que muitos desejavam e era maravilhoso e era muito afortunada, mas por algum motivo, eu ainda sentia como se estivesse presa de alguma forma. Fechei meus olhos e fiquei parada ainda sentada na areia. De repente, a chuva parou de cair e quando eu abri os olhos, descobri que não tinha nada a ver com a chuva que continuava a cair apressada, mas sim com quem estava comigo naquele momento. Andrew estava acima de mim, segurando um guarda-chuva e me olhando intensamente. Minha pele fria ficou imediatamente aquecida por aquele olhar. Me senti subitamente vulnerável, como se eu estivesse nua na frente dele. O que não fazia nenhum sentido para mim. – Vamos. Você vai ficar doente nessa chuva. – ele chama por cima do barulho da chuva. Continuei em silêncio no mesmo lugar. O que ele estava fazendo aqui fora? – O que faz aqui fora? – pergunto. Andrew se abaixa e fica cara a cara comigo. – Eu vi você aqui fora sozinha e fiquei preocupado. – responde. Saber que ele se preocupa comigo mexe com alguma coisa dentro de mim que eu não compreendo, mas faz meu coração bater mais forte, mais rápido. É uma sensação estranha, porém, boa. Faz-me sentir como se eu ganhasse um abraço aconchegante. O que é bem estranho, já que eu não sou o tipo de pessoa que gosta de abraços. – Porque? – pergunto. – Porque o que? – devolve. – Porque você se preocuparia comigo? – indago. – Eu não sei. Eu só não consigo agir como eu normalmente faço perto de você. E por algum motivo que eu não compreendo, eu quero que você veja o meu melhor. Eu não consigo tirar você da minha cabeça e sinceramente, isso está me deixando louco. Você está me deixando louco. E sabe o que é pior em tudo isso? Você não fez absolutamente nada para me deixar assim. – responde um pouco nervoso. A resposta extremamente honesta dela me deixa um pouco surpresa, eu não imaginava que ele estivesse sendo tão afetado pela minha presença. E é verdade que eu não fiz absolutamente nada, mas isso é porque eu estou exercendo uma grande quantidade de autocontrole e não tem sido fácil. Eu o encarei abertamente sem saber o que responder. – Você pode me matar depois que eu fizer isso. – diz repentinamente. Isso o que? Do que ele está falando? Mas no momento em que eu me preparava para perguntar do que ele falava, Andrew largou o guarda-chuva e me beijou com grande intensidade. Foda-se.
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