O TIPO MAIS PERIGOSO

1957 Palavras
Freya Um grande confronto estava sobre nossas cabeças, todos nós sabíamos inconscientemente que isso estava vindo para nós rapidamente. E cada um de nós esperava por isso com uma certa dose de ansiedade. Nenhum de nós era normal, isso era fato. Alguns de nós eram portadores de certas patologias consideradas perigosas para a sociedade, outros simplesmente endureceram mente e coração por conta da vida que conheceram, é o meu caso, por exemplo. Mas uma coisa é certa, concordamos em nos juntar a Pandora por dois motivos: ela nos tirou de lugares horríveis, verdadeiros infernos e realizou nossos desejos mais sombrios. Hoje a seguimos por uma dívida de gratidão eterna e também por permitir saciar nossos impulsos mais sombrios. Um ótimo exemplo disso são Lilith e Jack. Os irmãos são viciados nas mais diversas praticas sexuais e Pandora os colocou em um lugar onde é possível que os dois tenham seus desejos saciados a qualquer hora. Eu estava me preparando para dormir agora. Amanhã será o grande dia e eu preciso estar o mais descansada possível para dar o meu melhor. Como toda noite, pego meus remédios e estou prestes a engoli-los, mas percebo que não há água em lugar nenhum do quarto e eu realmente não consigo engolir sem água. Caminho rapidamente até a cozinha e tomei os remédios, no caminho de volta, fiquei distraída e acabei esbarrando em alguém, estava pronta para pedir desculpas, mas quando olhei para cima, encarei diretamente os olhos castanhos mais quentes que eu já vi na minha vida, parecia que emanava calor daquele olhar e eu me senti subitamente desconfortável, mas não de uma forma r**m. Endireitei minha postura quando ele me encarou, mas eu não sabia dizer se era Andrew ou Aaron. – Desculpe, eu estava distraída e não percebi por onde estava indo. – digo. – Isso não é necessário, eu também estava distraído e acabei esbarrando em você. – sorri envergonhado. Oh, ele parece tão lindo assim. Franzo o cenho com o rumo estranho dos meus pensamentos. Eu não devia nem sequer estar falando com ele, afinal, o melhor é ter uma relação estritamente profissional já que ele também trabalha para a senhorita. – Bem, se me der licença… Andrew. – tento acertar o nome dele sem parecer que eu não faço a mínima ideia de qual dos dois irmãos ele é. Que seja Andrew, que seja Andrew. – É claro, Senhorita Freya. – abre passagem com um pequeno sorriso. Parece que eu acertei seu nome. Só espero ser capaz de identificá-lo em um próximo momento. A sonoridade do meu nome sendo preferido por ele, parece uma carícia lenta e deliciosa e eu sinto que ele pode ter feito isso de propósito e que é um sedutor nato que sabe o poder que tem. O tipo mais perigoso. Aceno e caminho a passos lentos de volta para o meu quarto, fingindo que eu não estou interessada nesse garoto. Eu nem sequer deveria olhar para ele, é só um adolescente, mesmo que tenha o corpo de um homem, ainda não alcançou nem a maioridade. No fim das constas, eu não dormi muito bem. Eu estava estressada e minha cabeça latejava fracamente, um pequeno lembrete das horas que passei revirando na cama. Estávamos todos a postos, Pandora estava dizendo o que tínhamos que fazer e como fazer, eu já havia apanhado quatro pistolas, duas facas e um fuzil de calibre 12,7x99 mm. Eu era a atiradora de elite do grupo e sempre ficava no alto dando uma visão de cima de tudo que acontecia, além de dar suporte aos demais pelo comunicador. Quando Pandora me resgatou, ela percebeu rapidamente que eu tinha uma mira estranhamente precisa e que eu quase nunca errava, além de ter uma visão muito boa. Então, ela tratou de me treinar intensamente para que eu me tornasse uma atiradora de elite. Eu fiquei feliz em fazer isso. Qualquer coisa para agradar quem me deu esta vida. Era hora de ir e eu podia sentir o olhar daquele garoto queimar minha nuca, era intenso e eu queria olhar de volta, queria que ele soubesse que eu sabia, mas não era o momento para flertes e coisas do tipo, eu precisava me concentrar na tarefa na minha frente não podia ficar distraída com um garoto, mesmo que fosse um belo espécime masculino. Eu acho que estou devaneando novamente. Foco Freya. Foco na missão. Mantive meu olhar em frente e mesmo quando nos separamos, eu não olhei para trás. O sangue corria nas minhas veias rapidamente e cheio de adrenalina, eu estava em todo lugar, no alto dos prédios, no chão. Eu atirava e atirava, e parecia que minhas balas não tinham fim. Estava terminando de limpar o terreno enquanto Lilith e Jack iam de um lugar para outro e eu estava concentrada, mas senti imediatamente a mudança no ar quando o inimigo entrou no meu espaço. Sem pensar duas vezes, virei a cabeça rapidamente e atirei no homem que tentava se esconder, ele também atirou, mas por sorte errou e eu finalizei meu trabalho antes que mais alguém aparecesse. Aquela localização já não era segura e eu precisava ir para outro lugar. – Freya? – Chase chama pelo comunicador. – Hmm. – Precisamos de você, há muitos homens e não vamos conseguir sem um apoio de cima. – diz. Suponho que ele ainda esteja com os três irmãos. Pandora parece gostar muito daqueles garotos e provavelmente ficaria de mau humor se algo acontecesse a eles. – Passe as coordenadas. – digo. No mesmo instante meu celular apita e eu vejo a rota no mapa, felizmente eu não estou muito longe e chegarei rapidamente. – Eu não vou demorar muito. – aviso. Desci rapidamente e roubei um carro, felizmente, ao soar o protocolo zero, Pandora garantiu que a maioria dos civis não fossem pegos no meio do fogo e feitos de refém, a maioria está presa dentro das áreas comerciais fechadas e a polícia está tentando entender o que diabos está acontecendo, já que nada funciona e a cidade está um caos total. Acelerei pelas ruas quase desertas e tentei chegar lá o mais rápido que pude. Em uma situação dessas, o tempo é crucial e qualquer segundo pode ser decisivo entre a vida e a morte. Peguei o elevador e subi até o topo do prédio. Lá embaixo estava um caos total, parecia realmente um campo de batalha se visto de cima, corpos por todos os lados, carros em chamas e homens vindo por todos os lados. Havia um homem morto no local e eu julguei que aquilo só podia ser obra de Chase. A equipe de limpeza vai trabalhar como nunca para limpar tudo isso, aposto que já estão trabalhando nesse exato momento. – Chase, já estou em posição. – aviso. – Perfeito. Eu estou indo para o campo aberto agora, me dê cobertura. – pede. – Pode deixar. – digo. Antes que Chase apareça no meu campo de visão, é possível ver homens se aproximando pelos lados da rua, os irmãos não conseguem vê-los ainda, então abro o canal de comunicação e os aviso. – Há inimigos chegando pelos dois lados da rua. – digo. Suponho que a pessoa que está ouvindo seja Aaron, já que ele parece um pouco diferente do seu irmão, vendo daqui. Não sei explicar, mas depois que Andrew se apresentou e eu pude dar uma olhada de perto, parece mais fácil distinguir os dois agora. Infelizmente as coisas estavam prestes a ficar feias, já que haviam cerca de vinte homens vindo para Aaron. Eu não tinha certeza se ele podia sobreviver a isso ou mesmo se ele tinha munição o suficiente, mas eu tinha que ajudar de alguma forma. – Há cerca de vinte homens vindo atrás de você, Aaron. – aviso rapidamente. Ele olha de um lado para o outro, procurando uma solução e eu acompanho tudo como posso enquanto terminei de derrubar os últimos homens que estavam atrás de Chase. O garoto sai da sua posição e vai para o lado contrário, onde mesmo sabendo que pode ser perigoso, parece melhor do que estar na mira direta de vinte homens. Rapidamente, ele arranca o colete do corpo e o joga na direção dos inimigos que se assustam e atiram no objeto voador, mas quando percebem que se trata de um colete, continuam sua caminhada. Acompanho com verdadeiro fascínio a façanha que ele fez quando o colete explode e há corpos por todos os lados. Foi um movimento genial. Quando eu me certifico de que não há mais nenhum potencial inimigo surgindo das sombras, desci até o carro e os aguardei lá, mas eles estavam demorando muito. – Freya, venha até onde estamos. Na esquina mais próxima. – Chase fala repentinamente pelo comunicador. Caminho apressadamente até onde eles estão e bastou um breve olhar para entender a situação. – Nós vamos ter que arrastá-lo, isso pode doer, mas será o melhor por agora. Você, – aponta o mais velho dos três. – Leve seu outro irmão, eu ajudarei Chase com este aqui. – apontei aquele que eu tinha certeza que era Aaron, já que estava sem colete e coberto de sangue. Foi um pouco complicado levar todos até o carro, principalmente o garoto baleado, já que ele não podia andar e nossos movimentos o machucavam. Felizmente, chegamos ao carro e Aaron quase suspirou de alívio. – Como está a situação geral? – Chase me pergunta. – Tudo sob controle. O pior acabou e estamos indo para a mansão, mas primeiro vamos acomodar este, eu o levarei, há outro carro ali atrás. – aponto. – Vocês estão feridos gravemente? – perguntei aos outros dois. – Não. Eu apenas fui atingido de raspão. – Andrew responde. – Não se preocupe, o meu braço não é grave. – o mais velho que eu não lembro o nome tranquiliza. Por algum motivo, saber que Andrew não está gravemente ferido me traz um alívio estranho, eu nem deveria estar preocupada com um desconhecido para começar. O caminho para a mansão era um pouco mais longe de onde estávamos e seria um caminho complicado com um paciente baleado. – Você precisa aguentar firme. Não desmaie. – digo. – Vamos logo. Eu não sou capaz de garantir nada nesse momento, moça. – geme. Acelerei o mais rápido que pude, mas percebi que ele desmaiou em algum momento do trajeto, já que os gemidos pararam repentinamente. Apressei ainda mais e quando cheguei na frente da mansão e parei o carro, encontrei justamente Pandora. Perfeito, ela poderia ajudar rapidamente. – Me ajude. – peço apressada e abro a porta do banco de trás. Ao ver a visão de Aaron ensanguentado, Pandora fez uma expressão que eu nunca vi antes no rosto dela e isso me assustou mais do que eu gostaria de admitir. Eu vi medo no rosto dela. – Você me ouviu, senhorita? – paro na frente dela. – Ele está vivo? – pergunta com uma voz estranha. – Sim. Só está desacordado, mas perdeu sangue e tem outros machucados pelo que eu pude observar. – explico. Alívio toma seu rosto e agora ela parece determinada. – Vamos levá-lo para dentro. – diz com nova resolução. Acenando, com a ajuda dela, tentamos tirá-lo de dentro do carro, mas ele é mais pesado do que parece. Quando ela percebe que não será uma tarefa fácil, chama alguns homens que tratam de o levarem para dentro. Caminho atrás, mas no caminho para dentro, precisei parar para responder uma série de perguntas e esqueci totalmente de avisar onde ele havia sido baleado, tentei chegar a tempo, mas o grito torturado que eu ouvi, foi prova suficiente de que ele já tinha sido jogado na cama como um saco de batatas. Ops.
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