Aquela noite foi definitivamente um tormento, Dominic ficou comigo até eu enfim pegar no sono. Uma coisa eu não quis contar, realmente ele não precisava saber no momento, ele tiraria decisões que não existem e sem dúvida surtaria e sairia atrás do mundo todo, querendo socar tudo.
Me levanto e Dominic já não estava mais ao meu lado como na noite anterior. Tomo um banho rápido e coloco uma roupa de frio, o dia estava nublado e realmente f**o. Desço e o cheirinho de café da manhã já aromatizava a cozinha toda. A sala já havia sido retirada toda aquelas coisas quebradas já foram retiradas e um vazio chato ficou. Chego na cozinha me deparando com um Dominic e minha querida governanta estão conversando animadamente.
__ Bom dia minha menina. - Luci vem me comprimentar com um abraço.
__ Bom dia Luci. - dei um sorriso forçado.
__ Oi. Bom dia… sente-se. - Dominic veio até mim depositando um beijo em minha testa.
__ O menino Dominic estava me contando que vocês se conheceram em Nova York. - olhei como uma debimental para ele, ainda não acreditando que ele fez isso! Por que contar para ela? Seria pergunta até amanhã.
__ Sim foi. - respondi. Me sentei, enquanto meu café era servido. Hoje era consulta, e sem dúvida estava ainda nervosa. Escutei meu celular tocando e corei para atender.
__ Alô. - disse sem olhar mesmo quem era.
__ Oi maninha. - a voz de Lara fez meu coração acelerar.
__ Fala sumida. - disse saindo da cozinha. Lara não falava comigo havia dias, e realmente não tinha notícias.
__ Eu sumi mesmo, porém tenho que te contar uma coisa. - O r**m de minha família, quando começava com essa paranóia de tenho que te contar, pode ter certeza lá vem bomba. Sem falar o suspense!
__ Sou todas ouvidos.- disse me sentando no sofá!
__ Eu estive fora, pois estava arrumando as coisas do casamento. - estremeci.
__Casamento?.- perguntei atônita.
__ Eu queria te dar a notícia encima da hora. -riu do outro lado da linha. Como ela podia fazer isso comigo?
__ Você vai casar Lara… meu Deus. - eu sempre fui uma irmã muito pegajosa, para falar a verdade quase não deixei Lara namorar na juventude. Quando saí da casa de meus pais, tive certeza que era realmente minha vez de viver, porém foi Lara quem já estava de data marcada para casar.
__ Maninha, eu realmente amo ele. E com ele sinto que posso ser alguém melhor. - ela falava como uma apaixonada.
__ Maninha preciso que aceite isso e que também seje a minha madrinha. - olhei para Dominic que se sentou no sofá e jogou os pés para cima.
__ É claro que eu aceito. Você sabe como eu te amo Lara. Quero sempre seu melhor.- eu sempre tive a certeza que queria ter um conto de fadas, sem dúvidas! Porém não era bem isso que tive… sai de casa aos meus vinte e seis anos, fui humilhada, pisada da forma mais c***l, mãe nova e agora com um império nas costas… às vezes paro para pensar se minha vida terá solução somente após os trinta anos... será?
__ Será daqui três semanas. -rápido ta vendo.
__ Como vai nossa menina?.- perguntou.
__ Ainda chutando muito, segunda é a consulta. - disse passando a mão na barriga.
__ E já escolheram o nome?.- perguntou curiosa.
__ Estava pensando ainda esses dias sobre, mais não escolhi ainda!.- confesso.
__ Tudo bem. Venha para se arrumar aqui, acredito que tudo terá tempo. - minha irmã sendo sempre essa menina de ouro. Ela merece ser feliz esse era outro erro meu, era tão boba que preferia a felicidade alheia que a minha mesmo. Mas o que eu poderia fazer? Perdoar Levinsk e ser uma i****a? Ahh claro. Passamos mais alguns minutos falando sobre coisas bobas até que desligamos. Joguei o celular em um canto e encarei Dominic que se remexia no sofá mexendo em seu celular.
__ Lara vai se casar?.-perguntou.
__ E f**o isso sabia?.- perguntei sentando no sofá e colocando as pernas encima das dele.
__ Isso o que?.- Dominic adora se fazer de bobo.
__ Prestar atenção na conversa dos outros. - ele arqueia uma sobrancelha e levanta os braços em rendição.
__ Ei, me desculpe mas era impossível não escutar sua irmã gritando de felicidade. - isso é verdade.
__ Oque pretende fazer hoje?.- mudei repentinamente de assunto.
__ Ainda não tenho nada em mente, o frio esta me desanimando. - disse olhando para as grandes portas de vidro da sala, que refletia o jardim coberto de sereno.
__ Então eu hoje te prendo aqui e terá uma tarde cheia de jogos, filmes e séries comigo. -disse me levantando e indo para cozinha.
Tomei meu café enquanto Dominic conversava com alguém no celular. Estava cansada, porém aguardava um dia melhor do que outros da semana. Lara se casaria daqui três semanas, e como eu iria? Barriguda e gorda. Subi para meu quarto na esperança de encontrar algo bom para fazer, mas na verdade não havia nada de bom! O almoço seria servido as doze horas e tive tempo de organizar algumas reuniões e dúvidas de clientes por e-mail.
Em meio ao turbilhão de pensamentos, tive que repensar ainda sobre o que fiz a pouco. Eu, Rachel que jurou odiar Dominic, estava ali novamente louca e apaixonada por ele. Dominic pode ter sido um canalha comigo, e ainda permanece sendo; talvez não por agora, mas por dentro. Eu jurei para mim mesma que o odiaria, mas o que seria de mim quando minha filha pedisse pelo pai? O que eu falaria para ela, quando chegasse a data do seu aniversário e não tivesse o pai por perto? Realmente é complicado! Não posso dizer que perdoei Dominic, mas tenho certeza aue não tem sido tão fácil como a primeira vez que fui, ou talvez mais difícil. Eu não sei, ao mesmo tempo que quero ele só para mim, quero distância!
Decido afastar todos esses pensamentos para longe, e arrumo todos aqueles e-mails.
**
Já se passava das três horas da tarde, e uma chuva chata ameaçava acabar com aquela comédia que estava sendo ver Dominic se irritar. Ele estava nervoso pelo filme de terror que ensisti em colocar.
__ Rachel você tem algum problema. - ele me apalpava ainda caçando um defeito que ele jurou ter em mim.
__ Pode ter certeza, que não tenho nenhum!.- disse entre risada.
__ Como pode ver a cabeça daquele cara ser cortada e não ligar?.- perguntou espantado.
__ p**a que pariu, não... não mesmo. - ele ainda estava nervoso. O que não era bom!
__ Mas Dominic, é fictício. -ele ainda me fazia morrer de rir.
__ Eu sei. Mas mesmo assim. - tadinho.
__ Acho que vai ter que desligar a TV. - disse quando um relâmpago muito forte caiu perto da janela.
__ É mesmo. -disse indo até a Tv e dealigando-a.
Dominic estava apreensivo, não havia motivos para estarem essa pilha de nervos, mas isso não seria possível! O filme era de terror sim, porém muito forte.
__ Calma. - disse entre risadas enquanto ele deitava ao meu lado.
__ Como você esta?.- Trocou repentinamente de assunto.
__ Estou bem.- eu deveria contar? Não! Não mesmo.
Meu celular toca, e Dominic leva sua mão para pega-lo. Olha na tela, me entrega tristonho. Não acredito, Adryan.
__ Alô.
__ Como você está? Eu soube hoje o que aconteceu. Precisa de alguma coisa?.- Adryan não tinha culpa pelo que tivemos, foi de ambos interesse. Eu quis e ele também! Mas me sentia triste, desanimada. Realmente difícil!
__ Não, eu estou melhor. A polícia está investigando tudo. - Adryan estava bem preocupado, ou talvez era apenas algum tipo de drama?
__ Rachel preciso te encontrar quando tudo melhorar, preciso de contar oque aconteceu. - sem isso pelo amor de deus Adryan.
__ Mais revelações? Ahh não!.- ele ri do outro lado.
__ É sobre minha vida amorosa. - disse e sorri.
__ Ahh que tudo. Quero saber sim. - ele estava apaixonado? Meu Deus que rápido!.
Terminamos nossa conversa entre risadas e mais risadas, Dominic estava com uma cara amarrada, não preciso nem mesmo perguntar.
__ Oque esse cara quer?.- perguntou se levantando da cama.
__ Ele me ligou pois ficou sabendo sobre o que aconteceu. - ahh ele não poderia estar com ciúme, não creio.
__ E o que ele tem com isso?.- veio pra cima de mim.
__ Você é minha Rachel, de corpo até a alma. - eu gostava de ser paparicada, mas não tinha motivos para aquilo.
__Dominic não foi nada ok? Para. - disse e ele mais que depressa se jogou pra cima de mim entre beijos e mais beijos. Eu não poderia estar passando isso com Dominic, ele não sabia o que queria, e quando sabia eu é quem não fazia idéia!
__ Ahh Rachel se você soubesse do que sou capaz por você. - eu nunca imaginei, sempre tivemos brigas e … decidi deixar esses pensamentos pra lá e aproveitar. Tenho que voltar a viver. Sou obrigada a voltar!
**
Já havia se passado uma semana, a polícia não conseguiu detectar nada que incrimine alguém. Ao que tudo indicou Joelma viu coisas, eu por outro lado estava muito bem atenta. No início da semana teve alguns acontecimentos que não havia explicações! Na quarta feira estava arrumando várias papeladas, quando um buque de rosas vermelha chegou nas mãos de Joelma para mim. Não havia nome de quem o enviou, apenas escrito "saudades", poderia muito bem ser Raynara, porém tinha certeza que era aquele covarde, b****a cheio de vida. Fiquei bastante atenta desde então, porém decidi contar para Levinsk, que não me soltava para nada. Ele não gostou nem um pouco de saber, e insistiu em contratar um segurança. Não achei necessário já que meu motorista me pegava nos horários exatos, e ele deixou passar!
Era mais ou menos umas nove da noite quando fechei minha empresa. Os guardas estavam na portaria aguardando minha saída, para enfim colocar a trava de segurança no prédio e naquela noite dispensei meu adorável motorista, iria no meu próprio carro! A garagem estava em um silêncio constrangedor, o barulho de meus saltos no piso do estacionamento monitorado deixava tudo meio estranho.
Entrei em meu carro e coloquei aquelas pastas no banco traseiro, enquanto retirava minhas sandálias altas que estava me matando. Adicionei uma música calma, e ao som de Beyoncé fui seguindo pra casa. Dominic não me ligou hoje, o que é de se preocupar… realmente era!
A música me tranquilizava, me deixava a par de grandes lembranças. Como estaria Dominic naquela noite? Estaria ele pensando em mim como eu estava? E seus sentimentos que demonstrou ser sinceros por mim? Estava perdida.
A rua que dava para minha casa era calma, m*l iluminada e não havia ninguém. Encostei o carro, e desci silenciosamente, o porteiro não estava na porta e tive que gritar. Assim que cheguei nas grades dos grandes portões, vi um vulto atrás das cortinas da portaria onde Jonas ficava.
__ Jonas. - gritei pelo porteiro, enquanto olhava para aquele vulto que agora parou de frente ao portão. Estava escuro, não havia como ver quem era. Olhei em sua mão, e vi uma faca imensa. Não era uma faca pequena, era grande e muito pontuda. A pessoa que estava ali parada tinha um semblante masculino, era mais ou menos 1;80m de altura, não havia cor de nada, apenas um preto vulto.
__ Quem é?.- perguntei. A pessoa deu alguns passos em minha direção e me afastei dois passos atrás. Não disse nada, mas vagarosamente passou a faca pelas grades do portão, fazendo um barulho de suspense e me mostrando pelo jeito de se mover quem era! Realmente era um inferno isso não ter acabado. Corri para o carro, estava tremendo de medo. A chave caiu no chão do carro, enquanto procurava com as mãos, vi aquela pessoa atrás do carro. Estava em pé e sem nenhuma forma de vivência. Era realmente um assassino. Assim que achei a chave, ainda tremendo coloquei na ignição. A partida do carro foi o que realmente me salvou, sumi daquele lugar o mais rápido possível. Meu peito doía, estava cansada e muito nervosa. Eu tinha que me acalmar, tinha que estar calma. Minha bebê!
Em um mantra disse para mim mesmo "Acalme Rachel, acalme. Respira".
Peguei meu celular em algum canto do carro sem nem perceber, a visão estava ficando turva. Estava cansada, estava ficando tudo escuro. Assim que tive uma boa distância daquele lugar, já estava em uma avenida muito movimentada. Desci do carro, atravessei para um parquinho onde várias pessoas caminhavam. Disquei o único número que me veio em mente. No quarto toque atendeu.
__ Rachel. - Dominic disse alegre.
Meus olhos estavam começando a lacrimejar.
__ Eu… era ele…. - Estava sem ar.
__ Rachel, pelo amor de Deus se acalme. Quem Rachel, oque aconteceu?.- do outro lado Dominic já estava desesperado.
__ Ele está lá... Dominic me ajuda.
__ Onde você está?.- gritou preocupado.
__ Na quadra de tênis do parque na sétima rua. - como estava ainda respirando? Realmente não sei!
__ Se acalme. Se acalme estou indo. - olhei para todos os lados. Como eu podia ser tão i****a? Eu estou correndo risco, estava a ponto de ser morta ou sequestrada.
Fiquei ali sentada em um banco frio, avistei após uns vinte minutos Dominic saltar do táxi.
Eu não queria ninguém, queria apenas ele ali para me consolar. Ele tinha esse dom, ele era meu herói de todas as vezes que chorava. E foi exatamente isso que fiz quando ele me abraçou, chorei, chorei até aquela dor no meu peito sumir. Estava muito, mais muito medrosa naquele momento. Levantei meus olhos encarando Dominic.
__Me diga meu amor, oque aconteceu?.- me pediu carinhosamente.
__ Dominic apenas me tire daqui. - pedi sem receio. E foi exatamente isso que Dominic me fez, me tirou dali sem me dizer nada. Nos braços dele eu sabia que estaria segura. Ele era um conforto, mas realmente eu ainda poderia esperar por algo bem pior.