Encarei meu reflexo no espelho, eu estava acabada, com olheiras e realmente não queria ir na festa à noite. A noite de ontem fora cansativa, era para ter sido só mais um trabalho, mas a culpa parecia estar me remoendo mais dessa vez, mesmo que eu não tivesse motivo para tal. E como nem tudo é um mar de rosas, tive que descer as escadas e atender a porta, preparada para chutar quem fosse que apertava a campainha sem parar. No caminho, tive que ignorar as marcas dos porta-retratos, apenas quadrados claros na parede eram a prova de que um dia eles existiram, agora talvez estivessem no porão, cheios de teia, as fotos escurecidas por causa da umidade, talvez algum dia eu fosse pega-los para pendura-los novamente, para ver se a vida se acomodava nas poltronas novamente, para ver se o mundo ganha

