Já tinha anoitecido. Jungkook não tinha acordado ainda. O que era bem compreensível depois de gozar tantas vezes. Eu mesmo só acordei porque meu estômago começou a doer de fome. Aí eu levantei, pedi umas pizzas e fui tomar um banho, planejando acordá-lo quando a entrega fosse feita, para a gente comer junto. Talvez ele topasse passar a noite inteira aqui. Meus pais só chegariam de manhã. Eu sabia que eles sempre passavam a noite em algum motel e no dia seguinte voltavam para casa super sorridentes.
Eu tinha acabado de vestir uma camisa, quando a campainha tocou. Fui atender a porta surpreso. Normalmente, a pizza nunca era entregue tão rápido. Abri a porta e tomei um susto ainda maior ao ver quem era.
— Hm, sabia que a pizza não ia chegar em menos de vinte minutos. — revirei os olhos e o encarei em seguida. Queria deixar claro o meu desagrado com a sua visita repentina. — O que faz aqui, Jimin?
— Eu estava passando por aqui e pensei em te ver. Está ocupado agora? — especulou.
— Mais ou menos. — mexi em meus cabelos úmidos. — Eu não estou sozinho essa noite…
Ele me olhou de cima abaixo e soltou um:
— Oh. — de quem tinha entendido muito bem o que eu queria dizer.
E de qualquer forma a minha própria aparência já dizia tudo. Os cabelos molhados, duas peças de roupas confortáveis — afinal eu havia vestido a camisa do Jungkook de novo e ela quase chegava aos meus joelhos. Jimin sabia muito bem que eu não usava roupas tão largas quanto aquela — e as marcas, eu não podia esquecer o tanto de manchas que Jungkook havia gravado na minha pele.
O rosto de Jimin deu uma leve corada e ele mordeu o lábio um pouco chateado. Eu até fiquei um pouco sem graça vendo como ele ficou frustrado.
— Eu acho que não devia ter vindo aqui, afinal. — disse, logo me dando as costas.
Mas porque eu tinha um fraco pelo maldito Park, que partiu meu coração sem hesitar, eu agarrei a sua mão e o impedi de sair. Eu não queria que ele fosse embora sem dizer o que tinha vindo fazer aqui ou se sentindo triste como me mostrava. E também, eu achava que queria ter um pouco mais da sua presença.
— Por que veio aqui, de verdade?
Ele mordeu a boca carnuda e me encarou.
— Você que disse, ne, que eu sabia sabia onde você morava e tudo o mais… — me mostrou que Taehyung havia lhe dado o meu recado. — Eu queria muito te ver, Yoon, mas já percebi que foi idiotice minha. Você ainda é o mesmo de antes.
Aquela sua sentença final me chateou, então eu me aproximei dele e joguei os braços sobre o seu ombro. Ele corou forte, incapaz de mover um músculo sequer. Claro que eu era o Min Yoongi de sempre e não era desse eu que ele continuava a sentir saudades? Porque quem ele sempre procurava notícias até vir parar na minha porta de novo?
— Jimin, eu acho que não sirvo para namorar mesmo — repeti as suas dolorosas palavras do passado. — mas eu gostava de você de verdade. Às vezes eu fico pensando sobre isso, nas coisas que dissemos um ao outro antes...
— Eu ainda quero você, Yoongi. — confessou, sem me deixar concluir.
Eu me senti tentado por sua proposta, mesmo sabendo que não ia dar certo. Um lado meu ainda queria Jimin também, mas eu tinha novos hábitos sexuais e Jungkook estava dormindo na minha cama após uma tarde inteira de sexo ardente. Ele segurou minha cintura e ficou me encarando como se tentasse me incentivar através do seu toque. Então tudo se dissipou da minha mente. O garoto sexy em minha cama, os erros que Jimin e eu cometemos em nossa relação e qualquer coisa mais.
— p***a, Park Jimin, não me olha desse jeito. Eu também penso em você ainda. — admiti.
E sem resistir, eu colei meu corpo no seu e o beijei. Jimin apertou o meu corpo e roçou sua língua na minha. Eu me arrepiei inteiro a medida que ele me lembrava do sabor do seu beijo e isso me fez pensar em como o nosso sexo era super gostoso e quente… Além de todo o resto… Os momentos que tivemos juntos como namorados e amigos...
— Err, licença, eu trouxe a pizza. — alguém não muito distante de nós dois disse acanhado.
Me afastei de Jimin e encarei o entregador. Ele era um rapaz bem atraente e muito alto. Seu sorriso tímido criava covinhas profundas nas suas bochechas. Diferente dele e de Jimin, eu não estava tímido com o flagra.
— Obrigado, Namjoon. — agradeci, como sempre fazia quando ele vinha me fazer entrega. — Eu vou buscar o dinheiro e já venho.
Me afastei da porta e fui em busca do dinheiro. Quando voltei, o entreguei ao cara e peguei as minhas pizzas. Ele sorriu tímido e se foi. Bastou o garoto dar as costas para Jimin franzir o cenho e me fazer lembrar o tipo de namorado que ele era.
— Qual é a desse cara? Ele estava te comendo com os olhos. — Jimin bufou.
— Se ele quiser comer com outra coisa… — falei, a fim de irritar meu ex-namorado, mas apenas eu sabia como aquela sentença era verdadeira. — Enfim, você quer entrar? — convidei, ignorando tudo o que havia acontecido até aquele momento, ou melhor, voltando ao meu juízo.
Jimin agitou a cabeça impaciente, provavelmente por causa dos meus comentários, mas se ele sabia que eu era assim, porque tinha batido na minha porta dizendo que ainda pensava em nós dois?
— Você não disse que estava com alguém? — me acusou.
— Estou, mas tem pizza para todos aqui, né? — encarei as três caixas, uma sobre a outra. — E quem sabe eu não convenço os dois a fazer um ménage comigo. Ia ser uma delícia. — ri zombando.
Jimin soltou uma risada melancólica — parecia cansado das minhas provocações — e acariciou meu rosto suavemente, como se estivesse pronto para desistir de tudo.
— Eu acho que você consegue se divertir bem sem mim. Tchau, Yoongi. — eu senti que aquilo realmente soou como um adeus.
Ele deu as costas de novo, mas dessa vez ele realmente se foi. Fiquei olhando o garoto que já teve meu coração, se afastar devagar. Então fechei a porta com um sentimento estranho em meu peito. Afinal de contas, ver Jimin abria velhas feridas.
Fui logo para a cozinha deixar as pizzas e depois até o quarto. Encarei Jungkook que dormia tão pesado e ainda assim continuava a ter um rosto bonito. Deslizei os dedos por seus cabelos negros que pareciam escorrer sobre sua face e o acordei.
— Kookie, eu comprei pizza pra gente. Vamos comer.
Ele abriu os olhos e me encarou meio atordoado.
— p**a merda, que horas são? — falou rouco e parecendo mais sonolento do que assustado.
— Umas 19h. Porque não dorme por aqui? Meus pais só vão chegar amanhã.
— Okay, eu vou avisar em casa.
— Certo.
Ele pegou o seu celular e digitou algo rápido. A resposta também chegou rapidamente. Ele levantou-se, averiguando a mensagem, enquanto ia ao banheiro. Voltei para a cozinha e peguei uma fatia de pizza. Minutos depois Jungkook apareceu no local e ficou bem do meu lado, atacando a caixa de pizza. De repente, o garoto me encarou com aqueles seus olhos redondos e profundos, no entanto seu sorriso era doce e quase infantil.
— O que foi? — ri também.
— Sei lá. Passar o dia com você hoje foi incrível. Parece que eu estou em uma outra dimensão. Uma sem medos ou preocupações, sabe? Como deveria ser. Eu nunca tinha momentos assim que parecem tão comuns para outras pessoas.
Jungkook largou a fatia de pizza e ficou bem de frente para mim. Ele acariciou as minhas orelhas e os meus cabelos, me fazendo fechar os olhos para seus carinhos desavisados. Quando o encarei, ele sorria ainda mais gentilmente do que antes e aí ele me abraçou e soltou um longo suspiro. Isso me fez entender que a situação familiar do Jungkook devia ser pior do que eu costumava imaginava.