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1639 Palavras
?Ellie: Quinta-feira, 2:30 PM... A Mollie parece não estar gostando tanto da minha presença aqui. Ela não disfarça a cara de tédio sempre que chego num cômodo e eu estou, desdenha de quase tudo que eu falo e faço . É tão chata essa situação, por que querendo ou não eu estou na casa dela, a 'intrusa' aqui sou eu. Estou a três dias aqui, e confesso que até agora eu não encontrei nada que eu gosta e possa me entreter. O que me acalma, são as ligações de horas com os meus pais, que pedem atualizações de tudo, como se eu fizesse muita coisa. Eu nem saio de casa. Quando saio do quarto, é pra ir somente no jardim ou andar uns 200 metros pela rua. Martin me diverte também, ele é bem humorado e parece gostar da minha presença. É horrível quando estamos num lugar e pessoas deixam claro que não querem a nossa presença. Se eu pudesse, já teria voltando para Otawa a tempos, e viver meus dias felizes lá, na paz e no sucesso do meu lar. —No mundo da lua.—Martin estala os dedos na frente do meu rosto.—Em que planeta você estava? —Desculpe, você estava falando sobre o quê?—Sorrio, já sentindo minhas bochechas esquentaram por natureza.—Acabei me perdendo um pouco em meus pensamentos. —Estava falando sobre festas que ocorrem com muita frequência por aqui, perguntei se você gostaria de ir em alguma. Será divertido, a música é contagiante, diversidade de bebidas.—Ele faz a propaganda.—Percebi que você m*l saiu de casa. Mollie está nessas festas com frequência, você poderia ir com ela. Nem morta . —Nem pensar. Eu não vou levar essa caipira atrás de mim, tenho cara de babá por acaso?—Pergunta ao irmão, me olhando com superioridade.—Se você quer tanto que ela se divirta, leve você mesmo, e não fique jogando pra cima de mim. —Precisa falar dessa meneira Mollie?—Martin parece ter ficado levemente sem graça.—E Otawa é tão grande quanto aqui, portanto, Ellie não é nenhuma caipira. —Até parece que essa garota saía de casa. Não está vendo a cara de sonsa?—Olha pra mim com deboche.—Com toda certeza nem do quarto devia sair. Diversão de verdade nem deve conhecer. —Prefiro passar a noite lendo um livro, que sendo espremida por um monte de pessoas numa casa noturna, bebendo álcool e usando drogas ilícitas. Exercito a minha mente, me diverto a minha menina, e o melhor: não corro risco nenhum de ter um efeito colateral.—Falo, dando de ombros assim que termino de falar.—Eu não quero ir a nenhuma boate Martin, mas obrigada pela sugestão. Se me dão licença, eu vou andar um pouco. Os deixo sozinhos, e vou até o quarto que temporariamente é meu. Pego um dos livros que eu trouxe, e volto a sair do quarto, andando até o lado da fora da casa. A rua está bem deserta, quase nunca passa um carro. Então eu posso andar lendo calmamente, sem me preocupar em ser atropelada e morta. Uma coisa que eu percebi, foi o comportamento um pouco suspeito do vizinho da frente. Alguns carros chegam na casa dele, homens com aparências um tanto assustadoras fazem uma pequena ronda, mulheres quase nuas as vezes entram na casa. Não sei quem ele é, e por que ter tantos seguranças. Notei também que ele observa a casa dos meus tios ,quando está sentado do lado de fora. Todas as vezes sem camisa, somente com uma calça jeans, o tórax expondo as diversas tatuagens, uma garrafa de cerveja nas mãos ou um cigarro entre os dedos ou lábios. Algo nele me deixa intrigada. Não sei se é a maneira intensa que me olha, ou a placa gritante escrita em cores fortes e com luzes piscantes com o nome 'PERIGO!' ,que aparece na minha mente toda vez que nossos olhares se cruzam. Já tentei perguntar aos meus tios sobre ele, mas nenhum respondeu de fato a minha pergunta. Ainda estou com algumas incógnitas na cabeça, e pretendo respondê-las. Tentarei perguntar a Martín. Mollie nem fala comigo, a ela que eu não vou perguntar. —Olha por onde anda, bonequinha. Infartei. Meu coração bate forte, devido ao grande susto que eu tomei agora. Estava bem entretida, que nem notei a aproximação de uma pessoa. Levo a mão ao peito, sentindo o 'tum tum' forte no meu peito. —Me desculpa.—Eu preciso de um copo de água. Odeio que me assustem assim. Tenho medo de morrer devido a um problema no coração. Eu sou tão jovem pra morrer. —Olha pra mim quando eu estiver falando com você.—Mas o quê? Como eu não fiz isso, dois dedos levantaram o meu rosto de uma maneira até rude. Mais um susto. Esbarrei no vizinho misterioso. Diferente das demais vezes, agora ele está usando roupas sociais. Calça, camisa, colete e gravata. Somente as tatuagens do pescoço estão a mostra. —Qual o seu nome bonequinha? —Caramba, me arrepiei com a voz dele. Mas não foi um arrepio de apreciação, é de puro medo. —E-Ellie.—Disfarcei bem a minha gagueira repentina. O nome perigo começa a piscar na minha mente. Esse homem parece ser realmente perigoso. Ele não diz nada, só fica me olhando como um predador. Me sinto acuada, um bichinho assustado. Como ele não falou nada, dei alguns passos pra trás e fui dando meia volta, tentando sair de perto dele. —Onde pensa que vai?—Pergunta com... raiva na voz? —Não me deixe falando sozinho. —Mas você nem estava falando.—Digo isso e me arrependo no segundo seguinte, quando vejo seu olhar se tornar ainda mais raivoso. Ele aperta os punhos, e parece ser com força. —Tem a língua afiada bonequinha.— Sorri de lado, mas parece ainda estar com raiva.—Sabe usá-la pra outra coisa, mais prazerosa? —ELLIE!—Graças a Deus. Salva por Martín. —Já vou indo.—Saio praticamente correndo de perto dele. Foi uma corrida bem rápido, até chegar na casa que estou hospedada e que ficarei por dois meses. —Onde você estava?—Meu primo pergunta, quando eu chego ofegante.—Andou correndo? —Quis exercitar um pouco as minhas pernas.—Digo, sorrindo amarelo e segurando o livro nas minhas mãos com força.—Por que me chamou? —Te procurei aqui, e você não estava, acabei te gritando.—Ele ainda me olha. É claro que ele não acreditou na minha desculpa esfarrapada.—Estava andando perto da casa do vizinho Ellie? —Eu queria até te perguntar algumas coisas relacionadas a ele.—Digo.—Por que ele olha com frequência pra cá? Possa ser só coisa da minha cabeça, mas sempre que eu estou na varanda, percebo seu olhar aqui. —Isso não é de hoje. Desde que ele se mudou pra cá, que ele fica perto da piscina, junto com um amigo, olhando pra minha casa.—Deu de ombros.—Mollie vive dizendo por aí que os dois possuem algum tipo de relacionamento. Já vi ela ir até lá algumas vezes e entrar na casa. Ah. É por isso então. Será que ele pensa que eu sou ela? Mesmo que nossas vestimentas são totalmente diferentes umas das outras. —Só sei que o nome dele é Jackson. Jackson. —Recebe algumas visitas duvidosas. Mas também não é da nossa conta.—Isso é verdade.—Quando você quiser dá uma volta, fazer alguns exercícios, pode me chamar que eu te acompanho. —Mas você não tem que trabalhar?—Pelo que eu notei, ele fica praticamente o dia inteiro em casa. São poucas as vezes que tem sair. —Eu trabalho de casa. Eu sou professor, vendo cursos online . —Entendi. Me sento perto da piscina pequena que fica ao lado da casa. Nas casas que ficam desse lado da cidade, notei que as piscinas são em sua maioria ,ao lado ou na frente da casa. Eu acharia mais adequada no fundo, mas enfim. —Vou trabalhar agora.—Martin avisa e se retira. Coloco meu livro numa das espreguiçadeiras e me sento na borda da piscina, depois de retirar meus chinelos. A água está quentinha devido ao sol quente. Mexo meus pés na água, tendo uma sensação gostosa de frescor. O vento causado pelas árvores trás uma brisa boa. —Ô sonsa, eu quero falar com você.—Ouço a voz de Mollie. Ela para ao meu lado,colocando uma das mãos na cintura. Ela usa uma saia bem curta e justa, um top que cobre somente uma parte dos s***s e uma maquiagem bem carregada para uma hora dessas da tarde. Como eu estou sentada e ela de pé, se eu olhar pra cima, consigo ver sua calcinha perfeitamente. Ela tem um gosto bem peculiar para roupas. Anda quase nua, não se preocupa em sentar adequadamente enquanto assistimos TV na sala. Cada um tem o seu gosto. —Eu vi você conversando com o Jackson, e eu só quero te dá um aviso.—Fala brava.—Fique longe do meu homem, ou eu picoto esse seu cabelo enquanto você dorme, sua sonsa. Com essa carinha de tímida, não dê encima do meu homem, ou você vai se arrepender. —Eu nem sabia que você tinha um homem. —Tudo você tem uma resposta não é?—Bate o pé no piso. Ela usa saltos altos.—Ficaria perfeita sem língua. Soltando um xingamento ela se retira. Mollie as vezes me dá medo. Já vi ela entrando no quarto com um pacotinho de algo suspeito, mas não ousei falar nada. Me afastar do homem dela.
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