Dayana Narrando Chamei o Uber e desci na entrada do São Carlos. O motorista parou o Carro e virou para mim com um ar cansado. — Não dá para ir além disso, moça. Não posso subir, o chefe não deixa. Agradeci, paguei a corrida e peguei minha mochila antes de sair. Assim que coloquei os pés no chão, a realidade me atingiu. O lugar era completamente diferente do que eu estava acostumada. Dei uma olhada ao redor e logo vi um rapaz magro, mas com a postura firme, com um fuzil nas costas. Ele me encarou e abriu um sorriso torto. — Fala aí, dona, turistando? — perguntou. — Não, eu quero saber como faço para alugar um barraco aqui nesse morro. Sou do Nordeste, sabe? Vim para o Rio tentar uma vida melhor. — Tentei soar o mais convincente possível. Ele deu uma risada curta e balançou a cabeça.

