- Bom dia menina Ellie. Já a esperávamos.
- Bom dia Louis – cumprimentou Ellie, estava uma ótima manhã, céu aberto e claro o que era extramente raro em Seattle. – Já está tudo pronto?
- Está sim menina, o Tom já colocou o seu avião na pista, é só entrar e esperar pelo sinal.
Ellie agradeceu e dirigiu-se ao seu pequeno avião, que na verdade era mais uma avioneta, mas estava ótima para as vezes que era usada. Colocou a sua mala no banco do lado, sentou-se no lugar do condutor, apertou o sinto e colocou os auscultadores na cabeça.
- Ellie para torre pede permissão para levantar! Repito, Ellie para torre pede permissão para levantar.
- Permissão concebida, faça boa viagem menina Ellie.
A viagem correu tranquilamente. Ellie adorava voar, m*l fez 18 anos foi para a Escola de Aviação de Massachusetts tirar o curso de piloto ao mesmo tempo que cursava Gestão de Empresas em Harvard. Quando terminou o curso de piloto, Joel e Tess oferecem-lhe a sua pequena avioneta. Como raramente tem descanso, Ellie aproveita as suas viagens de negócios para relaxar enquanto voa, ter o controlo de algo lhe transmite paz já para não falar no quão é relaxante não ter mais nada ao nosso redor a não ser a imensidão do céu.
Quando aterrou na pista, olhou ao seu redor. A pista era minúscula no meio do nada. Ellie achava que o aeródromo de Seattle que ela usava era pequeno e intimista, mas na verdade este onde se encontrava agora era uma ninharia ao seu lado. Tinha apenas uma torre de controlo e nem vedação tinha, duas avionetas estavam estacionadas na berma da pista num terreno de relva e Ellie achou por bem colocar lá a sua também. Pegou na sua mala e avistou uma carrinha de caixa aberta velha a chegar.
- Howdi!!!
- Desculpe? Não entendi. – disse Ellie enquanto olhava para o seu telemóvel e esperava pelo carro que Riley pediu, apesar de sem sucesso pois a rede era praticamente nula.
- Howdi... Boas! – o homem forte riu e olhou em volta – Acho que é a minha passageira.
- Aah, acho que está enganado. Estou à espera do meu carro. A minha assistente marcou com Castroville Car Service. – respondeu Ellie desconfiada.
O homem afastou-se da porta da carrinha mostrando um logo em letras grandes "Castroville Car Service, Venha Cavalgar Connosco".
- Bem, talvez eu seja mesmo a sua passageira. – Ellie tirou os óculos de sol colocando-os no bolso do seu blazer cinzento. – Prazer, sou a Ellie.
- Jesse. – disse o homem, estendendo a mão para a mala de Ellie que seguidamente atirou para a caixa aberta da carrinha e ambos entraram. – Bem, chegou mesmo a tempo Ellie.
- A tempo de quê?
- O aeródromo acaba de fechar para reparos na pista. – Continuou Jesse enquanto conduzia.
- Está a brincar comigo, certo? – respondeu Ellie – Então estou presa aqui?
- O seu piloto devia tê-la avisado sobre o encerramento da pista.
- Eu sou o piloto.
- Uma mulher piloto? Estou impressionado, não sê muito disso por aqui, sabe! – falou Jesse, olhando para Ellie de alto a baixo, tentando não parecer preconceituoso – Bem, chegámos a Castroville. Não é uma bonita cidade?! Somos apenas 3 mil e pouco habitantes, isto aqui é uma família
Ellie olhou em redor, realmente a cidade era muito bonita, parecia saída de uma história. Casas pequenas com telhados e rebordo em madeira, quase todas em tons claros. As pessoas que passavam na rua olhavam para a carrinha e cumprimentavam baixando o chapéu e esboçando um sorriso, Ellie retribuía o sorriso meio envergonhada. As ruas eram todas enfeitadas com canteiros e flores coloridas.
- Então, trabalho ou lazer? – perguntou Jesse, tentando meter conversa.
- Trabalho. Vim em negócios, mas está meio complicado, a rede aqui é péssima. – Ellie apontava com o telemóvel para todo o lado tentando ter cobertura de sinal, mas sem sucesso. - Já agora, teria a gentileza de me recomendar um hotel? Com a loucura da chegada, esqueci-me de reservar um quarto.
- Até posso recomendar, mas não vai fazer diferença. Castroville só tem um hotel e se não tem quarto reservado, não está com muita sorte. Com o Festival de Verão, todos os quartos foram reservados há semanas.
Ellie revirou os olhos. Esta chegada estava cada vez pior, presa numa cidade pequena, sem cobertura no telemóvel, sem estadia. – Perfeito! – disse ironicamente entre dentes. – e de novo sem sin....
Jesse travou repentinamente fazendo Ellie deixar cair o telemóvel pela janela. Um cavalo tinha passado a correr no meio da estrada.
- Ei CALLUS!! – ouviu-se um grito ao fundo. Outro cavalo vinha atrás do primeiro, mas este vinha montado. Jesse saiu da carrinha a correr e apanhou o primeiro. – Obrigada Jesse. Este maroto acabou de fugir do estabulo. Deve vir lá tempestade.
- De nada Dina. – Jesse agarrou numa corda e ajudou a mulher a prender o cavalo com um laço bem ao cowboy. Enquanto isso, Ellie tinha saído do carro e estava mais que irritada, afinal coisas piores podiam acontecer para piorar o seu dia, o telemóvel tinha-se partido por completo. – Ah Dina, esta é a Ellie, fui busca-la agora ao aeródromo, ia agora mesmo mostrar-lhe a vista ali do miradouro.
- Sim, a vista do miradouro é perfeita. Sigam-me de carro, vou lá com vocês.
Ellie voltou a entrar na carrinha sem proferir uma palavra, estava tão chateada que nem queria ver nada do que a rodeava, na verdade, ela só queria que aquele dia terminasse, não tinha qualquer interesse em paisagens ou vistas. Quando chegaram ao miradouro, Dina já lá estava com os seus dois cavalos.
- Então, é uma bela vista ou não é? – perguntou Jesse, estendendo os braços sem esperar resposta.
Realmente a vista era espetacular. Um longo pinhal verdejante com um campo roxo ao fundo, pareciam lavandas rodeadas de montanhas altas também verdes, revestidas com pinheiros mansos. Ellie estava espantada com a natureza que a rodeava e ainda mais pelos sons, ou melhor, pela falta deles, apenas se ouviam cigarras e passarinhos.
- Você não é daqui de perto, pois não? – perguntou a mulher enquanto desmontava o cavalo.
- Não, sou de Seattle, acabei de chegar.
- Ah sim, é a moça que voou m*l fecharam o aeródromo. – Dina riu-se.
- Como sabe disso? – Ellie estava chocada, não só pela rapidez com que as notícias corriam pela cidade, mas também pela beleza da mulher. Ela era morena, não muito alta, mas notava-se que era destemida. Olhos e cabelo castanho atado num coque deixando cair duas mechas sobre o rosto, rosto esse perfeitamente delineado, com algumas sardas o que lhe dava um ar super doce. – Ah, sou a Ellie. – E estendeu uma mão para Dina – Ellie Williams. Como disse, acabei de chegar de Seattle, estou aqui para falar com o Sr. Woodward do Woodward Ranch.
Jesse soltou um riso enquanto Dina estava perplexa, os dois trocaram olhares.
- Eerr, vocês conhecem o Sr. Woodward? – perguntou Ellie notando que algo de estranho se passava. – Talvez me possam falar dele, é um homem complicado, é?
Jesse riu alto – não diria propriamente isso dele. – e voltou a rir deixando Ellie sem entender nada.
- Eu conheço o Sr. Woodward, Ellie. Jesse, eu acompanho-a a partir daqui. – Disse Dina, começando a andar.
- Mas ele é o meu motorista. – respondeu Ellie apontado para Jesse e cada vez mais confusa.
- Sr. Woodward, tem calma. – Jesse só ria – Vai devagar com ela.
- Espera, espera, espera.... Você – disse Ellie começando a entender. – Você é o Woodward.
- Prazer, mais conhecida por Dina, Dina Woodward.
- Peço imensa desculpa pela confusão, as minhas assistentes falaram-me em Woodward e eu parti do princípio que era um senhor, peço muitas desculpas. Vamos começar do zero, pode ser, menina Woodward? – Ellie estava muito envergonhada pela situação toda, como podia ser tão burra, devia ter visto melhor os relatórios, mas na verdade só tinha visto os relatórios financeiros então os pormenores tinham-lhe passado ao lado.
- Se vamos começar do zero, então vamo-nos tratar por "tu" como toda a gente se trata por estas bandas... e já que estás aqui pelo Woodward Ranch porque não dar-te uma ideia panorâmica dele! – afirmou Dina continuando a andar bem certa e confiante. – Devias-me seguir, Ellie! – gritou.
Ellie olhou para Jesse, este fez-lhe um sinal de confirmação com o chapéu e entrou no carro.
- Certo! Já estou a ir. – afirmou Ellie dando uma pequena corrida para tentar alcançar Dina.