Estávamos a todo vapor na boca, as vendas só cresciam e eu realmente tenho que admitir que essa parceria com o Lord está salvando o morro.
Estava caminhando com o Túlio fazendo umas rotas e conferindo a menorzada em seus postos.
Túlio: Mah tu tá tão diferente.
Maysa: Pega viagem em mim não.
Túlio: Mó burocracia agora pra fazer um lovezinho contigo, se não quer mais é só falar.
Maysa: Não enche e já te falei que essas coisas a gente resolve em casa.
Túlio: Maysa tu sabe que sou afinzao de ti, te quero como minha fiel, criar uma família e procriar o amor que sinto.
Maysa: Túlio eu não quero isso, sempre deixei bem claro. O sentimento que tenho por você é de amizade. Você quebra meu galho quando eu quero, mas se pra ti não dar mais, tudo bem, o que não falta é homem querendo ter essa oportunidade.
Ele não deu uma só palavra, virou de costas e saiu andando. Continuei a rota e parei nos meninos da 20.
Maysa: Como que tá a parada por aqui ?
Aviãozinho: Patroa tá de vento em polpa, a droga tá acabando.
Maysa: Pode pegar mais no Lord.
Aviãozinho: Patroa só tá eu aqui hoje, a senhora tem como desenrolar essa fita ? Se eu sair daqui perco vendas.
Que droga vou ter que ir no Lord pegar umas drogas, só espero que ele não esteja por lá.
Maysa: Marca um dez que eu tô voltando com tua encomenda.
Depois de cumprimentar alguns moradores cheguei na biqueira do Lord, os vapores dele são de Sampa também, ele quis trazer com ele.
Xxx: Boa tarde gatinha.
Maysa: Gatinha eu sei que eu sou, mas o respeito tu deixou aonde ?
Xxx: E tu é quem mesmo ?
Antes de eu responder, ouvi aquela voz rouca falar.
Lord: Ela é a Poder, dona disso aqui tudo. Se liga nas ideia meu camarada.
Xxx: Meu desculpa Poder, sou novo aqui.
Maysa: Na próxima eu te passo sem pensar duas vezes.
Lord: a que devo a honra dessa ilustríssima presença ?
Maysa: Meu aviãozinho da 20 tá com a mercadoria acabando e eu vim pegar pra repor.
Lord: Entra aí.
Acho que em São Paulo só tem homem bonito, p*rra todos os soldados dele são gatos.
Ele saiu de uma sala me entregando uma sacola.
Lord: Tem cento e cinquenta gramas aí.
Maysa: Depois pede algum dos teus homens pra passar lá e recolher a grana.
Lord: Bom ver que tu já tá aceitando a ideia da sociedade.
Maysa: Não tive escolha.
Lord: Vamo tomar um café no bar da dona Cida.
Maysa: Tô muito ocupada.
Lord: Vai ser rápido.
Ele pegou seu boné e foi andando comigo, passei no carinha e deixei a encomenda e depois fomos pra tia Cida.
Tia Cida já tá velhinha, mas não larga mão desse bar, ela ama.
Cida: Oi Mah.
Maysa: Tia Cida tanto tempo que eu não via a senhora.
Cida: Oi Kauê.
Lord: Tudo bom com a senhora ?
Ficamos lá papeando com a tia Cida e depois ela foi buscar nosso pedido.
Maysa: Kauê então ?
Lord: Meu nome pow, mas esquece faz o favor, ninguém me chama assim.
Maysa: Pode pá.
Lord: Por que tu é assim ?
Maysa: Assim como ? - Arquiei a sobrancelha.
Lord: Desconfiada.
Maysa: Por que todos que eu confiei me apunhalaram.
Lord: Eu tô ligado, sempre tem um pra testar nossa fé. Por que quis entrar pro movimento ?
Maysa: Sempre vi meu pai comandando tudo, o amor que ele tem por esse morro, me deixava encantada. Eu sempre quis ser como ele.
Lord: Você está no caminho certo.
Maysa: E lá em Sp tu é cheio de marra assim ?
Lord: Lá eu sou respeitado por todos.
Maysa: E aqui tu não é ?
Lord: Pela minha sócia não.
Maysa: Deixa de besteira.
Lord: Lá é meu refúgio, onde eu construí meu império.
Maysa: Tô ligada.
Ficamos lá conversando algumas coisas sobre o movimento e nossos morros. Ele é um cara legal, talvez possamos ter uma boa convivência.