De Volta Ao Mundo Real

1729 Palavras
Ponto de Vista de Gabe Nem acredito que hoje eu saio da cadeia. Foram dez anos dentro dessa merda, porque aqueles que um dia eu considerei amigos, me entregaram à polícia para aliviar suas penas. Eu era um p**a traficante de armas no passado. Acabei no comando da rede de tráfico de armas com apenas vinte e dois anos, mas... Confiei nas pessoas erradas. Fiz uma fortuna, mas perdi pra polícia. Hoje, vejo o quão errado estive em me envolver com esse tipo de negócio, mas quem na minha idade não iria querer dinheiro fácil e adrenalina como eu tive por tanto tempo? Eu não tive oportunidades além dessa na vida. Me formei no ensino médio aos trancos e barrancos porque tive que sustentar a casa porque minha mãe estava doente. Ela morreu dois anos depois e eu me vi sozinho no mundo. Acho que esse foi um dos motivos de eu ter me deixado seduzir pelo mundo do crime. Max, aquele a quem considerei meu melhor amigo e braço direito, se livrou da cadeia com uma pena branda porque falou meu nome. Eu comandava o tráfico de armas em uma pequena região e me tirar da jogada desestabilizava toda a máfia. Não abri meu bico pra polícia. Preferi cumprir minha pena sendo bonzinho e garantir meu futuro em paz do que viver com medo. Os caras ainda confiam em mim, e sei que posso voltar ao tráfico quando quiser... Mas no momento, tudo que quero é paz. Por isso, decidi entrar em contato com meu primo Dimitri Sanders. Sei que o cara é rico e não custa nada pra ele me dar uma oportunidade seja lá aonde. Quando ele me respondeu o e-mail dizendo que me daria uma chance, fiquei feliz, empolgado e tudo que eu mais queria era dar certo. Ele mandou algumas fotos da família dele e vi que ele está casado com uma moça que me lembra muito as princesinhas da Disney. O filho mais velho parece ser um pré adolescente roqueiro e a pequena Patty parece um amor. Uma família perfeita. Não faz o meu tipo, mas prometo tentar me encaixar. Todos esses pensamentos me fizeram dormir no avião durante a viagem. Estava ansioso, mas ao mesmo tempo, empolgado. Muitos sentimentos misturados dentro da minha caixa torácica. Ao chegar no aeroporto, vi Wendy, Oliver e Patty que segurava uma placa escrito "Primo Gabe". Isso me fez sorrir. Fui muito amigo do Sanders até antes de ser preso, e ele sempre tinha bons conselhos pra dar. Se eu tivesse os seguido, com certeza não teria ido preso. – Tio Gabe! – Oliver foi o primeiro a me cumprimentar. Eu o abracei e dei-lhe um beijo na testa. – Quanto tempo, hein, rapaz? Acho que você nem se lembra de mim. – Ele abriu um sorriso ao me ouvir. – Você sempre me manda cartas no aniversário. Lembro de você das cartas. – Ele abriu um sorriso doce. Que bom que sempre mandei cartas no aniversário dele. Lembro-me de ter sofrido junto com Dimitri quando a mãe de Oliver morreu. Patty desceu do colo de Wendy, com um vestido de princesa bufante e uma pequena coroa no topo da cabeça. Ela abraçou minhas pernas e eu a peguei no colo. – Então, temos uma princesa na família? – Ela concordou com a cabeça. Parecia um pouco tímida. Wendy tem um sorriso bonito e parece muito maternal. Esticou a mão e me cumprimentou com ternura. – Muito prazer, Gabe. Espero que você se sinta em família conosco. O Dimitri disse que te ama muito e pediu para que eu viesse receber você, porque ele está enrolado no escritório hoje. – Concordei com a cabeça, e nós começamos a caminhar no aeroporto. Eu só tenho uma pequena mala de mão agora. Meus pertences foram leiloados, e minha vida está literalmente começando do zero. – É verdade que você ficou preso dez anos tio Gabe? – Wendy arregalou os olhos e ficou vermelha dos pés a cabeça, tadinha. Eu estava com Patty no colo e acabei dando risada. – Tudo bem, Wendy. Não se preocupe com isso. Estive sim, Oliver... É por isso que a gente não pode andar com gente errada. – Dei-lhe um tapinha nas costas. Ele estava arrastando minha pequena mala de rodinhas. – Eu vou me lembrar disso. Não quero ser preso. – Oliver disse e Wendy ficou mais vermelha ainda. – Acho que a mamãe tá com vergonha dos meus comentários. – Ela deu risada. – É que eu não sei se é exatamente o tipo de coisa que o primo quer falar... – Ela disse e eu sorri. – Fique tranquila, Wendy, não me importo de falar sobre isso. – Por fim, ela relaxou. O caminho até a mansão do Sanders foi tranquilo. Ele me deu a oportunidade de ser o motorista do Oliver, assim Wendy podia descansar um pouco dessa função. Ele fazia vários esportes e aulas extras por vontade própria, então Wendy basicamente passava o dia correndo atrás dele. Seria bom para todos. Quando chegamos, Wendy me levou até a casa da piscina, que agora eu chamaria de lar. Era um loft de talvez 60m² e muito bem equipado. Uma pequena cozinha, sala, uma lavanderia e dois pequenos quartos, tudo com móveis planejados e acabamentos de primeira. Era realmente um lugar legal e separado da casa principal, o que me animou, pois assim eu teria minha privacidade e a família Sanders também. – Obrigado pela recepção, Wendy, Oliver e princesa Patty. O Dimi disse que você era um doce de pessoa, e preciso concordar. – Falei, olhando para Wendy. Ela sorriu e assentiu com a cabeça. – Se precisar, estaremos em casa. É só bater na porta. Ah, eu deixei alimentos na geladeira e nos armários pra você cozinhar. Sinta-se a vontade. – Wendy acenou e os três começaram a caminhar em direção a própria casa, que ficava há uns cem metros da casa da piscina. O terreno de Dimitri é imenso. Guardei as poucas mudas de roupa que tinha em meu novo armário e me joguei na cama confortável que agora eu chamaria de minha. Peguei meu celular, presente de Dimitri, e abri um PDF com os horários do Oliver. O garoto é barra pesada. Escola, aula de guitarra e violão, judô, futebol americano e francês. E pelo que Dimitri disse, a única coisa que foi indicação dele, são as aulas de francês. Decidi conhecer meu novo bairro em uma caminhada. Já era oito da noite, peguei alguns dólares que ganhei fazendo uns b***s  antes de vir para Washington e decidi comemorar minha nova vida, bebendo uma cerveja. Depois de uns quinze minutos de caminhada, vi um pub de rock e entrei, pedindo uma cerveja artesanal. A vida é boa. Enquanto eu tomava minha cerveja, três garotas entraram no bar dando risada. Parecia que era aniversário da menina mais alta e ruiva. Mas quem me chamou atenção foi a garota loira... Meu Deus, eu estou sem tocar em uma mulher já há tanto tempo... A loira de olhos castanhos e baixinha, com bochechas rosadas e sorriso fofo fez com que as outras duas sumissem pra mim. Ela era pequena, magrinha mas com uma b***a de respeito. Fiquei a observando de longe, enquanto falava algo com as amigas sobre uma galeria de arte, eu acho. As três bateram copinhos de tequila e tomaram. A garota loira fez uma careta, e eu percebi que ela não era de beber como as outras. – Um brinde ao meu aniversário, e a Alana que vai expor sua arte na galeria Golden! – a  garota alta bradou. Então, o nome da loirinha é Alana. Antes que eu pudesse fazer algo, três caras chegaram na mesa delas. As outras duas pareciam felizes demais, mas Alana estava desconfortável. Um rapaz moreno estava com as mãos nos ombros dela, como se fizesse uma massagem, e ela estava bastante constrangida. As outras duas garotas deixaram a loirinha e o moreno sozinhos, acho que foram pra casa dos caras. Alana estava tentando dar um fora no cara, que cada vez que tentava tocá-la, a fazia recuar. Fiquei incomodado por ela e decidi agir. – Alana! Que bom que te encontrei aqui, quanto tempo! – Cheguei na mesa dela e me sentei com os dois. O moreno recuou, talvez assustado pelo meu tamanho e pela quantidade de tatuagens que tenho. – Ah... Oi! Pois é, quanto tempo! – Pisquei um dos olhos pra ela, e ela percebeu o que eu estava fazendo. – John, você poderia me levar pra casa? Eu estou me sentindo um pouco m*l, aquela tequila me deixou um pouco zonza... – Me levantei e dei a mão pra ela. – Ei, Alana, se quiser posso te levar pra casa. – O moreno disse. Ela olhou pra mim em desespero. – Não se preocupe, cara. Pelo que conheço da Alana, ela não gosta de ir pra casa com qualquer um. Se nos dá licença... – Me levantei da cadeira e estiquei a mão em direção da loirinha, que a pegou e levantou comigo. Guiei a moça até o lado de fora sob olhar de desaprovação do moreno. Não, essa garota não vai pra cama com você, cara. Sinto muito. Quando já estávamos do lado de fora, tirei meu celular do bolso e chamei um táxi. – Vou te colocar em um táxi, antes que aquele predador te pegue de novo. Que amigas você tem, hein? Te deixaram sozinha em um bar perigoso como esse... – Sim, eu estava um pouco indignado. – Eu não tenho costume de sair. E elas estão acostumadas a fazer isso... – Alana tem uma voz doce e linda. – Então não saia mais com elas. Não em bares como esse. Está vendo aquilo ali? – Apontei para um símbolo de motoclube no vidro do bar. – Esses caras, desse motoclube, não são boas pessoas. Aqui não é lugar para uma garota como você. – Bom... Obrigada, eu acho. E desculpa o incomodo. – Assenti com a cabeça. – A propósito, sou Gabe, não John. – Ela abaixou o rosto dando uma risadinha. – Foi o único nome que pensei na hora... O táxi chegou e eu a levei até ele. Quando ela já estava dentro dele, acenou para mim, e eu vi minha chance de t*****r aquela noite ir embora. Que grande bosta.
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