CAPÍTULO 107 DANTE NARRANDO Antes de sair, ainda me abaixei e dei um beijo rápido na boca da pequena, mas a cabeça já tava a milhão. Eu podia até tentar disfarçar, mas a raiva queimava dentro de mim. Peguei a chave da moto, a arma na cintura e desci as escadas sem olhar pra trás. O motor roncou alto quando girei a chave, e cada curva do morro parecia aumentar a pressão no meu peito. O vento batia no rosto, mas não apagava o fogo da lembrança: Laura. Quinze anos se passaram, e só de ouvir o nome dela o sangue já borbulhava. Cheguei na contenção, estacionei a moto e desci. Os moleques abriram espaço na hora, silêncio total. Meu olhar foi direto nela. Lá estava. Parada bem na frente da contenção, o mesmo cabelo, o mesmo jeito. Como se o tempo não tivesse passado. Mas pra mim, tinha passa

