CAPÍTULO 68 CAROL NARRANDO A cozinha ficou num silêncio estranho depois que soltei aquilo. Eu já sabia que o Dante ia ficar putø, mas precisava falar. Não dava mais pra viver me escondendo. Pelo menos uma noite eu queria me sentir livre. Ele me olhava fixo, os braços cruzados, como se cada palavra minha fosse uma afronta. A dona Zefa, coitada, mexia nas panelas de costas, mas eu percebia que ela escutava cada coisa. — Eu já decidi, Dante. — repeti, firme, mesmo sentindo meu coração disparar. — Hoje eu vou no baile com a Cris. Ele bateu o punho de leve na mesa, respirando fundo, como se estivesse segurando a raiva. — Tu tá achando que isso aqui é brincadeira, é? — falou baixo, a voz grave. — Lá fora tem verme rodando teu nome, pequena. Se tu vacilar, some sem nem dar tempo de gritar.

