CAPÍTULO 135 CAROL NARRANDO Acordei com a luz suave entrando pela fresta da cortina, aquecendo meu rosto. Por um segundo, me encolhi debaixo do lençol, ainda com o corpo pesado, mole, como se tivesse sido desmontado pedaço por pedaço. E, de certa forma, tinha mesmo. A noite anterior veio inteira na minha cabeça, os beijos desesperados, as mãos firmes do Dante, o jeito dele me possuir como se não houvesse amanhã. Respirei fundo, abrindo os olhos devagar. O quarto estava silencioso, e a primeira coisa que notei foi a ausência dele. O espaço ao meu lado na cama ainda tinha o cheiro dele, mas já estava frio. Um aperto estranho bateu no peito — não de medo, mas de falta. Eu já sentia falta dele só de perceber que não estava ali. Me levantei devagar, os músculos doloridos de tanto que ele me

