Aquilo Que Eu Esqueci Por Medo

393 Palavras
Ela havia deixado passar por tempo demais. O nome “Dr. Maison” não saía da mente de Natasha desde que o leu no prontuário do hospital. Um médico confiável. Um conselheiro. Alguém que a acompanhava desde a infância e que, supostamente, apenas queria o bem dela. Mas agora, tudo parecia parte de uma teia de silêncio bem costurada. E ela queria rasgá-la. Chegou ao consultório do Dr. Maison sem avisar. A recepcionista tentou detê-la, mas Natasha estava decidida. — Eu não marquei consulta. Eu marquei um reencontro com a verdade. Arrombou a porta com o próprio nome. O doutor estava em sua poltrona de sempre, pastas em mãos, surpreso e desconfortável. — Natasha...? Você está bem? — Quero as gravações das sessões de hipnose que você fez comigo no coma. Agora. Ele fechou a expressão. — Essas sessões foram experimentais, você não estava consciente, não é ético... — Não estou pedindo, doutor. Estou exigindo. — sua voz estava firme, sem tremor. — Você escreveu no prontuário que induziu bloqueio emocional para impedir colapso. Então me diga: o que eu vi que era tão terrível assim? O que vocês apagaram? Silêncio. Ele hesitou por segundos que pareceram uma eternidade, e então se levantou. — Espere aqui. Dez minutos depois, ela estava sentada numa sala escura, sozinha, com fones de ouvido e uma tela ligada a um reprodutor antigo. As imagens estavam borradas, como filmagens de câmera de segurança, mas o áudio era claro. Era a voz dela, inconsciente, delirante, em transe. "O carro... Bryan... ele gritou comigo..." "Henri estava lá... me segurando... me chamando de Naylee..." "Bryan não queria que eu saísse... ele agarrou meu braço..." "A luz... o barulho... Henri me empurrou... e depois... só silêncio." Natasha tirou os fones com força. Suava frio. — Bryan estava lá. E mentiu. Ao sair da sala, encontrou o Dr. Maison no corredor. — Você sabia o tempo todo. — Seu pai me pediu. Ele disse que você não aguentaria a verdade. Que tinha medo de você desmoronar. — Vocês não me protegeram. Vocês me apagaram. Ele suspirou, como quem carrega culpa há muito tempo. — Você lembra agora? — Não de tudo. Mas já sei o suficiente. — disse, caminhando em direção à porta. Antes de sair, virou-se. — Se Bryan mentiu sobre aquela noite... o que mais ele está escondendo?
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