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1033 Palavras
Zahara Bianchi Cá estou eu caída no piso cinzento e frio do estacionamento subterrâneo da minha empresa, com o coração extremamente acelerado, respiração ofegante, e sentindo um medo que me deixa aqui estatelada, paralisada, escutando a vã com homens armados acelerar para fora daqui e os seguranças do prédio correndo atrás. — Senhorita... — ouço a voz da senhora Kim, me chamar e as suas mãos me tocarem. — SENHORITA! — ela grita, me cutucando mais agitada ainda, e eu suspiro fundo, buscando sair desse estado de choque. — Ai... — gemo de dor me sentando com a sua ajuda, franzindo o cenho, olhando para o meu estado. — Ai, me diga que está bem? Levou algum tiro? — a minha querida secretária Kim questiona, me cutucando tão forte que se eu tivesse ela estaria é piorando a minha situação. — Eu estou bem... — respondo, com um turbilhão de pensamentos tomando a minha mente e o meu coração nesse momento. Eu literalmente quase fui sequestrada... talvez morta vindo para o meu carro. Que desgraça! Meus pulsos estão esfolados, sinto que os meus joelhos também por debaixo das minhas calças e os saltos que eu comprei semana passada literalmente já eram. — Ain, os meus saltos... — reclamo, vendo eles riscados e o salto partido. — A senhorita quase foi levada daqui e está pensando nisso... — ela diz, visivelmente chocada e inconformada me estendendo a mão e me ajudando a ficar em pé. Na verdade eu estou pensando num trilhão de coisas, inclusive quem é o responsável por ter me derrubado assim e aqui de forma tão audaciosa. Mas prefiro me acalmar por enquanto, por que eu estou quase entrando em colapso do maldito susto que levei. Ela vai me sacudindo e ajustando, enquanto eu observo o rastro de pneus deixados por aqui. — Como um carro daqueles entrou aqui? — questiono aos seguranças que obviamente voltaram sem aqueles idiotas que ousaram tentar me puxar para dentro daquela vã com armas mirando em mim. — Senhorita, lamentamos imenso... Teve uma falha na segurança — claro que teve. — Suponho que nas câmeras também — sugiro e pelos seus olhares culposos e cabisbaixos eu estou correcta. — Lamentamos imenso — lamentam imenso. Eu achei que ia bater as botas, se não fosse o reflexo de me afastar, ser puxada e literalmente me atirar no chão e o facto da senhora Kim e os seguranças chegando do nada aqui os afugentando... — Eu quero que recuperem as gravações, custe o que custar — eu falo, e eles assentem. — Sim, senhorita! — respondem, e um deles me estende a minha bolsa que obviamente tentado escapar deixei cair. Pego e suspiro, sentindo literalmente receio de sair daqui e eles estarem me esperando. Quem os mandou até mim? Eu tenho as minhas desconfianças, mas nada acertado e tão pouco sei o que faria se soubesse. Não sei se parece mas eu estou enlouquecendo internamente. O que eu faço? — Devemos chamar a polícia — a senhora Kim diz e eu suspiro. — Sem as filmagens das câmeras é completamente desnecessário — eu falo. — Mas precisam ter o caso registrado — a senhora Kim diz, e eu suspiro. Eu m*l estou me aguentando em pé, meus tornozelos estão doendo para caramba, e eu estou atordoada ainda. — Eu cuido disso amanhã. Me tragam as gravações logo pela manhã — eu falo, descendo dos saltos, por que está insuportável. — Sim, senhorita — respondem. — Devemos ir ao hospital — senhora Kim diz, atraindo o meu olhar para ela, enquanto pego os saltos nas mãos. — Não é necessário — falo e ela me encara relutante. — Eu não quero que ninguém fique sabendo o que aconteceu aqui, está entendido? — indago. Vamos ver se o culpado retorna a cena do crime não obtendo nenhuma notícia satisfatória. — Podem ir e reforcem a segurança — ordeno, e eles assentem saindo. — Seria sequestrada ou talvez morta, não quer denunciar, nem ir ao hospital, por acaso está querendo morrer? — ela questiona. — Se não quiser morrer comigo é melhor ir para a sua casa que já está tarde — falo, e ela olha para o lado, frustrada. Sabe bem ter ao menos uma pessoa que se preocupa comigo. — O que veio fazer aqui, já agora? — questiono, e ela parece se recordar e tira do seu bolso um pendrive. — O senhor Jean da advocacia Bonheur, mandou isso para a senhorita e disse que devia ver com urgência — oh! — Obrigada! Boa noite, senhora Kim — a despeço pegando e caminhando para o meu carro, pisando o chão frio no qual eu despenquei e buscava me segurar como se fosse possível. Tranquilidade? Faz um tempinho que eu não sei o que isso é, e eu sou a pessoa mais chill de todas. — Oh! Mas como é inconsequente! Tem alguém lhe atacando! Sabe-se lá o que teria acontecido se eu não tivesse aparecido e está me dando tchau como se nada tivesse acontecendo? Tem alguém querendo lhe fazer m*l, não pode ir conduzindo só assim — seus olhos ficam mais finos quando ela decide me dar bronca como se fosse a minha mãe. A preocupação dela mais me acalma que outra coisa. — Quando não estão? — a questiono, e não tem como ela rebater. Ela conhece a família da qual eu pertenço. — Eu vou ficar bem, vá para casa já esta tarde — a despeço e ela assente. — Por favor tome cuidado e me ligue caso precise de alguma coisa — ela diz e eu sorrio assentindo. — Pode deixar, tchau! — falo, já entrando no meu carro. A vejo ir até ao elevador receosa. — Ah... — eu suspiro, me encostando a poltrona do meu carro, entorpecida. Não sei se dá para notar, mas eu estou em choque real. — Filhos de uma mãe... — eu murmuro, trancando as portas, e iniciando o carro. Eu tenho quase certeza de quem mandou fazer isso, mas eu confirmo amanhã. Se quiserem jogar a esse jogo que ao menos não fossem batoteiros. Mas se estão vindo, eu vou fazê-los dança-los a minha música.
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