A quadra do morro estava viva. Luzes coloridas, cruzavam o céu acima das mesas decoradas com toalhas floridas. As crianças corriam de um lado para o outro com fatias de bolo e copos de refrigerante na mão, enquanto a música tocava em volume moderado nos alto-falantes que o padrinho de Guido tinha instalado. Paloma e Dorothy tinham se certificado de que o repertório fosse alegre, respeitoso e familiar. Estela e Corine ajudaram a montar tudo com dias de antecedência. Era música dançante, divertida, mas que respeitava os ouvidos das crianças e das mulheres. Nada de letras pesadas ou de duplo sentido ofensivo. Um pagode leve, um funk antigo, uma moda de viola quando o sol caiu. Era festa com identidade. Era o morro se celebrando. Salomão não tinha dito uma única palavra desde que saíra da i

