Ao anoitecer o garoto de longos e cacheados, além de selvagens, cabelos verdes se olhava no espelho. Vendo seus olhos verdes brilhante junto de suas bochechas naturalmente rosadas bem clarinhas junto de sardas que ganhavam destaque por conta daquilo. Ajeitando sua gravata vermelha o garoto se encontrava em um terno chique branco com preto. Sua blusa polo muito bem abotoada da cor branca acompanhada de um colete e uma jaqueta preta. Suas calças e sapatos eram igualmente pretos enquanto ele se olhava no espelho ele não pode deixar de sorrir.
Saindo sutilmente de seu apartamento o garoto descia degrau por degrau até chegar no térreo. Puxando seu celular para cima e apertando rapidamente um botão na discagem rápida antes de desligar. Em poucos minutos um carro preto aparecia em sua frente, um senhor de cabelos grisalhos descia do carro e abria a porta traseira para o adolescente entrar, que entrava de muito bom grado e ao fechar ele voltava para a parte da frente e ligava novamente o carro.
-Para onde vamos? - Perguntou sutilmente sem querer demostrar nenhuma hostilidade ao seu mestre.
-Cassino. - Disse Midoriya sorrindo e se ajeitando no banco, colocando seu cinto enquanto olhava seu celular.
Com uma resposta de cabeça o carro começava a se mover lentamente antes de tomar partida e ir rumo ao norte da cidade. Infelizmente para a alegria do garoto logo algumas sirenes começavam a soar e com um longo suspiro seu carro estacionava na borda enquanto dois policiais saiam e se dirigiam em direção ao carro.
-Izuku Midoriya, você está preso. Saia do veículo com as mãos para cima! - Berrou um policial mantendo a arma focada no banco traseiro que Midoriya sempre se sentava. Como sempre o garoto apenas se retirava gentilmente do carro com as mãos para cima enquanto ouvia seus direitos e era algemado e levado para o carro de polícia.
-Tenha um boa noite Senhor Takinashi- Falou o parceiro para o motorista do carro que concordava com a cabeça, antes de dar partida e voltar para seu serviço normal.
Ao ser colocado no banco do carro dos policias o garoto não apresentava nenhuma resistência e evitava falar qualquer coisa, mesmo quando perguntado. O caminho para a delegacia foi normal e tranquilo, quase como rotineiro na vida de Izuku Midoriya. Ao entrar na parte de dentro do local o esverdeado apenas acenava com a cabeça para os policias e detetives que eram tão familiares em sua vida antes de ser arrastado para a sala de interrogatório.
-Boa noite e ótimo serviço- Disse o sardento ao ter os pulsos livres. Como de sempre ele os colocava em um lugar visível enquanto esperava a pessoa que requisitou sua presença.
Sem demorar muito tanto seu herói do subsolo favorito quando seu detetive entrava na sala, Tsukauchi como de costume deixou um copo de café para Midoriya que aceitou de boa-fé. Seus anos de experiência lhe ensinaram que Midoriya se abria quando achava que estava devendo algo para a pessoa.
-Um de seus associados morreu. - Falou Aizawa indo direto ao ponto. Ele pegou os papeis na mão do detetive e mostrou a foto de um senhor de meia idade com barbas e cabelos azuis. -Sabemos que você tinha um contrato com ele, queremos saber por que ele morreu. - Afirmou de forma seca.
-Eu possuo contratos com quase toda a cidade, você quer que eu me lembre de um rosto em especifico? Eu acho meio complicado, sem ofensas, senhor. - Respondeu Midoriya sem tirar seus olhos do herói, um ato chato que o apagador odiava.
-Ele lhe devia muito dinheiro, muito dinheiro mesmo. Questões de milhões, uma dívida tão grande você deveria saber quem ele é.- Sugeriu o Detetive.
A vítima tinha uma ligação direta com Izuku Midoriya através de um contrato de cerca de 900 milhões. Pela data do contrato ele o estava devendo a quase um ano então o mais provável e que Izuku cansou de esperar e assassinou o rapaz.
-Eu não vivo apenas de dinheiro. Se a pessoa estava me devendo ele iria me pagar cedo ou tarde. Eu sou confiável em empréstimo de dinheiro pelo fato de eu não ter limite para pagar ou juros. Sou completamente honesto. - Disse Midoriya. -Os dois sabem que eu faço contrato com boa parte da cidade, não posso saber e nem ser responsável se um deles morre dessa forma, e ilógico. - O detetive odiava quando o sardento evitava sua pergunta e contornava sua individualidade.
-O contrato deixa explicito que ele morreria queimado com a quebra dele. E que coincidência, seu corpo foi carbonizado. - Falou Aizawa mostrando as fotos do corpo queimado. -Qual era a condição de quebra de contrato? -
-Todos os meus contratos só podem ser quebrados caso sejam danificados ou caso o hospedeiro do mesmo faça algo contra a cláusula de quebra. Por exemplo, se ele rasgar o contrato algo pode acontecer, se ele violar a cláusula de quebra algo pode acontecer. - Respondeu Midoriya bebendo outro gole do café. -Aliás, na U.A possui cafeteira? Se não possui pretendo levar uma de presente. - Sorrio de orelha a orelha.
-O que você define como ‘algo’ e a morte. - Afirmou Aizawa se sentou de frente a Midoriya. -Você começou a censurar a clausula de morte para evitar suspeitas em si mesmo, você poderia me lembrar o que sua individualidade faz mesmo? -
-Eu nunca escondo nada do contrato, nem mesmo nas entrelinhas. Minha individualidade se chama ‘Acordo’, me permite fazer um pacto com qualquer pessoa, desde que ambos assinem um pedaço de papel com as regras pré-definidas. Não podem ser alterados após o selamento com a assinatura. - Respondeu o garoto.
Sua individualidade poderia ser considerada inútil por muitas pessoas, mas da forma que o garoto havia a criado para fazer um monopólio no submundo era algo assustador. Izuku Midoriya poderia ser tratado como o próprio d***o nesse lugar. Fazendo acordos que brincam com a vida e a morte com toda certeza era algo inadequado para uma individualidade.
-Se não possuem mais perguntas eu gostaria de ir. Vocês não podem me prender aqui por mais de uma hora sem algo solido. O contrato já foi considerado em vários tribunais algo que não pode ser considerado, então por favor, não me faça pedir um advogado. - Choramingou o garoto.
-Apenas uma pergunta, Midoriya- Acrescentou o Detetive. -Você matou ou se associou a morte dessa pessoa? -
-Não tenho necessidade de m***r alguém que me deve, ainda mais uma boa quantidade. Ele morre e eu recebo nada. Simples assim. O contrato já e o suficiente para fazer a pessoa querer me pagar, seja em dinheiro ou sua lealdade-.
-Você refere a lealdade ao medo. Se eles quebram ou não te pagam eles morreram, certo? - Perguntou Aizawa vendo a luz no fim do túnel.
-Como eu disse, o contrato existe clausulas, e eu posso afirmar, que a lealdade e algo que eu admiro. - Seu sorriso aumento meia polegada. -m***r e uma palavra muito forte, sabe, eu nunca usaria algo como ela. Mas como estão atrás de mim a bastante tempo vocês têm a mentalidade exata de quando eu falo em ‘Lealdade’ significa sua própria vida. O contrato e basicamente isso, um pacto com satanás, como você mesmo pensa. - Midoriya sorrio e terminou seu café. -Muito obrigado pelo café detetive, adoraria repetir isso outras vezes. Mas no momento eu vou começar a trabalhar e estudar na U.A, então acho que nossas visitas iram ficar mais... Deprimentes e distantes. Mas não estou lhe trocando, ok? - Midoriya se levantou e se aproximou do policial, tirando uma cena de alto valor e o colocando sobre a mesa. -Compre uma cafeteira nova, eu venho tanto aqui que já me sinto parte da família, e deprimente beber esse café. - Ele disse e logo saiu da sala de interrogatório.
Não importava quantas vezes o garoto era preso ele sempre saia pela porta da frente como se nada tivesse acontecido. Ele conhecia seus direitos muito bem para ter certeza que eles não poderiam o prender, ele só vinha na delegacia por puro prazer em ver a cara de decepção e derrota dos policias ao verem ele sair livremente.
-Eu odeio esse agiota! Ele não faz nada na frente das câmeras, ele simplesmente fica parado e olha toda a desgraça acontecer- Murmurou Aizawa ao se levantar. -Ele nem mesmo e minimamente violento para colocar em sua ficha! -
-Ao menos ele nos deu uma dica sobre sua individualidade- Respondeu o Detetive contente. -Te falei que o café o deixa de bom humor.- Com um sorriso culposo o policial pegava a nota. A delegacia realmente precisava de uma nova cafeteira e se o garoto vivia aqui, por que não o agradar com um café melhor, quem sabe ele não nos ajude melhor com esse agrado?