refúgio

510 Palavras
A porta do quarto se fechou atrás de mim. E o silêncio… Finalmente veio. Um silêncio diferente. Não pesado. Não tenso. Seguro. Soltei o ar devagar. Como se só agora pudesse respirar de verdade. Minhas mãos ainda tremiam levemente. E eu nem tinha percebido. Até sentir. Caio. Se aproximando devagar. As mãos dele seguraram meu rosto com cuidado. — Olha pra mim… Levantei os olhos. E ali… Não tinha só intensidade. Tinha preocupação. — Você tá bem? Assenti. Mas ele não acreditou totalmente. Nunca acreditava só na resposta. Ele precisava sentir. Confirmar. Noah se aproximou por trás. As mãos deslizando pelos meus braços. Devagar. Acalmando. — Você ficou tensa… — ele murmurou perto do meu ouvido. Fechei os olhos por um segundo. — Eu fiquei… Hugo parou na minha frente. Tão perto. Mas dessa vez… Sem pressa. — Mas acabou — ele disse baixo. — Você tá aqui. Abri os olhos. E algo dentro de mim… Cedeu. Sem aviso. Sem controle. — Eu odeio quando ele tenta me puxar de volta… — minha voz saiu mais baixa — como se eu ainda fosse dele… Silêncio. Pesado. Mas não desconfortável. Diferente. Caio aproximou a testa da minha. — Você não é. Firme. — Nunca mais. Um arrepio percorreu meu corpo. Noah beijou levemente meu ombro. Calmo. Sem pressa. — Aqui… — ele sussurrou — ninguém te toma de ninguém. Hugo levantou a mão. Passou os dedos pelo meu cabelo. Afastando os fios do meu rosto. — Aqui você fica porque quer. Respirei fundo. E pela primeira vez naquele dia… Eu relaxei de verdade. Me aproximei mais. Quase sem perceber. E então… Caio foi o primeiro. Os lábios dele tocaram os meus. Lento. Sem pressa. Sem domínio. Só… presença. Senti minhas mãos subirem pelo peito dele. Me segurando. Como se precisasse daquilo. Quando ele se afastou… Noah veio logo depois. Virando levemente meu rosto. O beijo dele foi diferente. Mais profundo. Mais intenso. Mas ainda assim… Cuidadoso. Como se ele soubesse exatamente até onde ir. E então… Hugo. Parou na minha frente. Olhou nos meus olhos por um segundo. E sorriu de leve. Antes de me beijar. Um beijo quente. Mas ainda assim… Calmo. Seguro. Quando me afastei, minha respiração estava mais pesada. Mas meu corpo… Leve. Soltei um pequeno riso. — Vocês têm noção do efeito que fazem? Hugo sorriu. — Temos. — E usamos — Noah completou. Revirei os olhos, sorrindo. Mas me aproximei de novo. Sem resistência. Caio me puxou pra perto. Me envolvendo nos braços. Firme. Protetor. Noah encostou na minha lateral. Hugo logo atrás. E de repente… Eu estava ali. Cercada. Mas não presa. Acolhida. Fechei os olhos. Sentindo. O calor. O toque. A respiração deles. — Eu tô aqui… — murmurei. Mais pra mim do que pra eles. Caio beijou o topo da minha cabeça. — Tá. Noah apertou levemente minha mão. — E não vai sair. Hugo encostou o rosto no meu pescoço. — Nunca sozinha. E ali… Naquele quarto… Depois de tudo… Eu entendi. Aquilo não era só desejo. Nem só obsessão. Era… refúgio.
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