O silêncio na sala era sufocante.
Pesado.
Carregado de expectativa.
Até que…
TOC TOC TOC.
Batidas firmes na porta.
Meu coração não acelerou.
Ele… se acalmou.
Eles estavam aqui.
A funcionária olhou para meu pai, hesitando.
— Você não vai abrir — ele disse, firme.
Ela travou.
Paralisada.
Eu dei um passo à frente.
Mas antes que eu chegasse—
O loiro entrou na minha frente.
— Você também não vai abrir, princesa… fica quietinha aqui.
E então…
Ele tocou minha cintura.
De novo.
Foi o pior erro da vida dele.
Meu olhar escureceu.
E eu gritei:
— ENTREM.
No mesmo segundo—
CRASH!
A porta foi arrombada com força.
Madeira quebrando.
Som ecoando pela mansão inteira.
Eles entraram.
Os três.
De máscara.
Imponentes.
Perigosos.
Silêncio absoluto.
O loiro m*l teve tempo de reagir.
Hugo foi o primeiro.
Agarrou a camisa dele com força—
E o lançou longe.
O corpo bateu contra a parede com impacto.
Um som seco.
Ele caiu no chão, atordoado.
— O que ele fez com você?
A voz de Noah veio fria.
Cortante.
Eu não hesitei.
— Tocou na minha cintura três vezes.
Dei um passo à frente.
— E eu mandei ele parar.
Silêncio.
Pesado.
— E ainda disse que gostou… — completei, com desprezo — porque eu sou “marrenta”.
Hugo estalou os dedos.
Devagar.
— Audacioso.
Caio deu um passo à frente.
A presença dele… esmagadora.
— Fala de novo.
O loiro tentou se levantar.
Tremendo.
— Quem são vocês? Que máscara é essa?
A voz do meu pai cortou o ar.
Autoritária.
Tentando retomar controle.
Erro.
Eu ri.
Baixo.
E então falei:
— Meus donos.
Silêncio.
Meu pai congelou.
— Seus donos?
Olhei direto pra ele.
— O senhor não me negociou, pai?
Minha voz saiu firme.
Sem tremor.
— Quando eu era um bebê?
O olhar dele mudou.
— Prometeu que eu ia casar com três homens…
Apertei mais forte a mão da minha irmã.
— Então.
Olhei para trás.
Para eles.
— Eu cresci.
— Eles cresceram.
— E… eles me encontraram.
— Mas você fugiu — ele disse, tentando se impor. — Você não quis casar.
Assenti devagar.
— Não quis mesmo.
Dei um passo à frente.
Mais perto.
— Mas agora eu escolho.
Silêncio.
— E o pior erro da sua vida…
Minha voz baixou.
Fria.
— Foi achar que eu ia aceitar outro homem.
Olhei para o loiro jogado no chão.
— E o pior erro dele…
Meu olhar escureceu.
— Foi encostar em mim.
O noivo da minha irmã—
Simplesmente correu.
Desesperado.
Fugiu pela porta aberta.
O loiro tentou fazer o mesmo.
Se arrastando.
Desesperado.
— Hm… — Hugo deu um passo à frente — não vai correr, não.
Ele congelou.
Minha mãe finalmente falou.
— Fernanda… por favor…
Virei pra ela.
— Por favor o quê, mãe?
Minha voz saiu mais alta agora.
Mais carregada.
— Vocês me chamam aqui…
— Dizem que é saudade…
— E montam esse circo?
Apontei ao redor.
— Tentando me entregar de novo pra alguém que eu nem conheço?
Silêncio.
— Sem nem saber como está a minha vida?
Respirei fundo.
— Eu já fui prometida uma vez.
— E vocês fizeram isso de novo com ela.
Apontei pra minha irmã.
Meu pai respondeu, seco:
— Sua irmã quer casar.
— Quer mesmo?
Olhei pra ela.
— Fala.
Ela apertou minha mão.
Forte.
— Eu não quero.
Silêncio.
A voz dela saiu firme.
Pela primeira vez.
— Aquele cara é nojento.
— Fica me tocando…
— Me puxando…
— Eu até tentei gostar…
Os olhos dela encheram de água.
— Mas eu não quero casar.
Meu coração apertou.
— E quando eu casar…
Ela respirou fundo.
— Eu quero escolher.
Silêncio absoluto.
Olhei pra ela.
E sorri.
De leve.
— Então você vai escolher.
Noah deu um passo à frente.
A voz dele firme.
— E ninguém aqui vai obrigar você a nada.
Caio completou:
— Isso acabou.
Meu pai tentou falar—
Mas não teve espaço.
Não mais.
Eu não disse mais nada.
Só segurei a mão da minha irmã.
E caminhei.
Direto pra fora da mansão.
Sem olhar pra trás.
Mas eu sabia…
Eles estavam lá.
Atrás de mim.
Como sempre.
E pela primeira vez…
Não era fuga.
Era escolha.