Quem manda agora

718 Palavras
O silêncio na sala era sufocante. Pesado. Carregado de expectativa. Até que… TOC TOC TOC. Batidas firmes na porta. Meu coração não acelerou. Ele… se acalmou. Eles estavam aqui. A funcionária olhou para meu pai, hesitando. — Você não vai abrir — ele disse, firme. Ela travou. Paralisada. Eu dei um passo à frente. Mas antes que eu chegasse— O loiro entrou na minha frente. — Você também não vai abrir, princesa… fica quietinha aqui. E então… Ele tocou minha cintura. De novo. Foi o pior erro da vida dele. Meu olhar escureceu. E eu gritei: — ENTREM. No mesmo segundo— CRASH! A porta foi arrombada com força. Madeira quebrando. Som ecoando pela mansão inteira. Eles entraram. Os três. De máscara. Imponentes. Perigosos. Silêncio absoluto. O loiro m*l teve tempo de reagir. Hugo foi o primeiro. Agarrou a camisa dele com força— E o lançou longe. O corpo bateu contra a parede com impacto. Um som seco. Ele caiu no chão, atordoado. — O que ele fez com você? A voz de Noah veio fria. Cortante. Eu não hesitei. — Tocou na minha cintura três vezes. Dei um passo à frente. — E eu mandei ele parar. Silêncio. Pesado. — E ainda disse que gostou… — completei, com desprezo — porque eu sou “marrenta”. Hugo estalou os dedos. Devagar. — Audacioso. Caio deu um passo à frente. A presença dele… esmagadora. — Fala de novo. O loiro tentou se levantar. Tremendo. — Quem são vocês? Que máscara é essa? A voz do meu pai cortou o ar. Autoritária. Tentando retomar controle. Erro. Eu ri. Baixo. E então falei: — Meus donos. Silêncio. Meu pai congelou. — Seus donos? Olhei direto pra ele. — O senhor não me negociou, pai? Minha voz saiu firme. Sem tremor. — Quando eu era um bebê? O olhar dele mudou. — Prometeu que eu ia casar com três homens… Apertei mais forte a mão da minha irmã. — Então. Olhei para trás. Para eles. — Eu cresci. — Eles cresceram. — E… eles me encontraram. — Mas você fugiu — ele disse, tentando se impor. — Você não quis casar. Assenti devagar. — Não quis mesmo. Dei um passo à frente. Mais perto. — Mas agora eu escolho. Silêncio. — E o pior erro da sua vida… Minha voz baixou. Fria. — Foi achar que eu ia aceitar outro homem. Olhei para o loiro jogado no chão. — E o pior erro dele… Meu olhar escureceu. — Foi encostar em mim. O noivo da minha irmã— Simplesmente correu. Desesperado. Fugiu pela porta aberta. O loiro tentou fazer o mesmo. Se arrastando. Desesperado. — Hm… — Hugo deu um passo à frente — não vai correr, não. Ele congelou. Minha mãe finalmente falou. — Fernanda… por favor… Virei pra ela. — Por favor o quê, mãe? Minha voz saiu mais alta agora. Mais carregada. — Vocês me chamam aqui… — Dizem que é saudade… — E montam esse circo? Apontei ao redor. — Tentando me entregar de novo pra alguém que eu nem conheço? Silêncio. — Sem nem saber como está a minha vida? Respirei fundo. — Eu já fui prometida uma vez. — E vocês fizeram isso de novo com ela. Apontei pra minha irmã. Meu pai respondeu, seco: — Sua irmã quer casar. — Quer mesmo? Olhei pra ela. — Fala. Ela apertou minha mão. Forte. — Eu não quero. Silêncio. A voz dela saiu firme. Pela primeira vez. — Aquele cara é nojento. — Fica me tocando… — Me puxando… — Eu até tentei gostar… Os olhos dela encheram de água. — Mas eu não quero casar. Meu coração apertou. — E quando eu casar… Ela respirou fundo. — Eu quero escolher. Silêncio absoluto. Olhei pra ela. E sorri. De leve. — Então você vai escolher. Noah deu um passo à frente. A voz dele firme. — E ninguém aqui vai obrigar você a nada. Caio completou: — Isso acabou. Meu pai tentou falar— Mas não teve espaço. Não mais. Eu não disse mais nada. Só segurei a mão da minha irmã. E caminhei. Direto pra fora da mansão. Sem olhar pra trás. Mas eu sabia… Eles estavam lá. Atrás de mim. Como sempre. E pela primeira vez… Não era fuga. Era escolha.
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