Depois da entrega

484 Palavras
A luz do sol invadia o quarto devagar. Quente. Silenciosa. E completamente fora de lugar. Abri os olhos com dificuldade, sentindo o corpo pesado… diferente. Por um segundo, tudo pareceu normal. Meu quarto. Minha cama. Minha rotina. Mas então… Veio a lembrança. Tudo. De uma vez. Sentei rapidamente, o coração disparando. Meu Deus… Levei a mão à cabeça, tentando organizar os pensamentos. Isso aconteceu mesmo. Não foi sonho. Não foi imaginação. Eles estavam aqui. Comigo. Meu olhar percorreu o quarto. Vazio. Nenhum sinal deles. Nenhuma máscara. Nenhuma presença. Só o silêncio. Soltei um riso nervoso. Claro… murmurei. — Eu surtei. Passei a mão pelo rosto...Só pode. Mas meu corpo…Meu corpo não mentia. Cada sensação ainda estava ali.Viva demais pra ser invenção. Fechei os olhos com força.Não… não, não, não… Levantei da cama, andando de um lado pro outro. Fernanda, pensa. Três homens invadem sua casa, dizem que você pertence a eles, te levam pro quarto e você simplesmente… Parei no meio do caminho. Respirei fundo. …deixa acontecer? Silêncio. Aquilo bateu mais forte do que qualquer outra coisa. Eu deixei. Apertei os olhos, irritada comigo mesma. Que raiva… Cruzei os braços, tentando recuperar um pouco de controle. Isso não pode se repetir. Não pode. Foi então que percebi. A porta do quarto. Entreaberta. Meu coração desacelerou… devagar. Caminhei até ela. Cada passo mais pesado que o outro. Empurrei. O corredor estava silencioso. Mas… Havia algo diferente. Desci as escadas devagar. E parei no último degrau. A sala. Organizada. Mas… mexida. Detalhes. Pequenos detalhes. Como se alguém tivesse passado por ali. Como se… Ainda estivesse ali. Não…sussurrei. Fui até a cozinha. E congelei. Na bancada… Um copo. Com água. Fresca. E ao lado… Um bilhete. Minhas mãos hesitaram por um segundo antes de pegar. Meu coração já sabia. Abri. “Bom dia, princesa. Esperamos que tenha dormido bem. Isso foi só o começo.” Meu estômago revirou. Virei o papel. Mais uma linha. “Arrume suas coisas. Vamos te buscar hoje à noite.” Meu coração disparou. Não… Balancei a cabeça, dando um passo pra trás. Não, não, não… Apertei o bilhete na mão. Eles não podem simplesmente decidir isso! Mas uma parte de mim… A parte que lembrava da noite anterior… Sabia. Eles podiam. E fariam. Fechei os olhos por um segundo. Respirei fundo. Tentando encontrar a Fernanda de antes. A que fugiu. A que lutou. A que não aceitava controle. Mas agora… Tinha outra parte. Mais perigosa. Mais silenciosa. Que sussurrava: E se você quiser ir? Abri os olhos imediatamente. Não. Firme. Eu não vou. Mas minha voz… Não soou tão convincente quanto deveria. Olhei novamente para o bilhete. E senti. Aquilo não era um convite. Era um aviso. E pela primeira vez desde que tudo começou… Eu percebi. Aquela noite… Não foi o fim. Foi só o início do jogo. E dessa vez… Eu não sabia se queria vencer. Ou me perder completamente.
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