Narrado por Selena] A porta bateu atrás de mim, e o som ecoou como um estalo dentro do meu peito. O silêncio que se seguiu era mais barulhento que qualquer grito. Me apoiei na pia, as mãos trêmulas, os olhos fixos no espelho. Lá estava ela. A mulher que ninguém conhece de verdade. O batom borrado, o sangue ainda quente latejando por dentro da boca onde ela me acertou. Giovanna. A filha do d***o. Mas o rosto que eu via ali... não era só de dor. Era de fúria contida, de cansaço acumulado. Era de uma mulher que segurou o mundo nas costas e ainda foi chamada de nada. O espelho devolveu minha imagem como se zombasse de mim. Cabelo bagunçado, peito arfando, maquiagem escorrida — uma pintura trágica da guerra que sempre fui. Eu encarei a mim mesma como se fosse uma inimiga. Porque às vezes...

