Coringa e Izilda retornaram ao quartinho. Izilda, exausta e abatida, se deixou cair sentada no chão. A dor física nas pontas dos dedos era apenas um eco distante comparada ao tormento mental de reviver o passado. Coringa observava-a com uma expressão impassível, seus olhos frios fixos nela, esperando pela verdade que ela estava prestes a revelar. “Quando eu era jovem, eu era amiga de sua mãe,” começou Izilda, a voz trêmula. “Naquela época, o Morro do Dendê e a Rocinha eram aliados. Era comum a gente ir lá e eles virem aqui. Tínhamos um grupo de amigos: era eu, Helena, sua mãe, Júlio, o pai de Zé Pequeno, Douglas e Leo. Eu e sua mãe éramos melhores amigas, mas eu confesso que tinha um pouco de inveja dela, ainda mais porque todos os meninos gostavam dela.” Coringa ouvia, entediado, mas sa

