Clara Menezes O grito do Mateo me atravessa como uma lâmina. É um som que eu nunca ouvi antes. Um choro desesperado, forte, quase histérico. Ele se debate nos meus braços e eu tento segurá-lo, mas parece que nada que eu faça consegue acalmá-lo. O coração dele dispara contra o meu peito e o meu quase para de tanto medo. — Joseph, mais rápido… por favor, mais rápido. — Eu imploro, a voz tremendo. Joseph dirige como pode, ultrapassa carros, desvia, e eu só consigo apertar o Mateo contra mim. Ele está vermelho, soluçando tanto que parece se engasgar no próprio choro. — Calma, meu amor, calma, por favor. — Eu sussurro, beijando a cabecinha dele, o rostinho, qualquer parte que eu alcance. — A mamãe está aqui. Está tudo bem, está tudo bem… Mas não está. Nada está bem. Andrew está ao meu

