Clara Menezes Hoje, o dia amanheceu calado. Nem o canto dos pássaros pareceu querer quebrar o silêncio que pesa dentro da casa. Desde que tudo veio à tona, eu não consigo respirar do mesmo jeito. É como se uma névoa espessa tivesse se instalado dentro de mim, me deixando tonta, confusa e cansada de pensar. Tentei dormir, mas madruguei. Acordei quatro da manhã e o jeito de me ocupar, depois de cuidar do Mateo, foi trabalhar no laptop só pra passar o tempo e evitar acúmulo. Andrew saiu logo cedo com o Samuel. Eu sabia que ele precisava desse tempo, precisava conversar, pensar, decidir o que fazer. E eu quis ficar. Quis ter um dia só com o Mateo, como se a presença dele fosse suficiente pra me lembrar de que ainda existe amor, de que ainda existe alguma beleza possível no meio disso tudo.

