CAPÍTULO 24 TORRESMO NARRANDO Arranquei com o carro devagar, mais por costume do que por calma. Olhei pelo retrovisor uma última vez e vi a Duda parada ali, meio perdida, como quem ainda não sabe onde pisa. Aquilo ficou na minha cabeça mais do que devia. Desci mais um pouco o morro e só então acelerei de verdade. O rádio ainda tocava baixo, mas eu nem tava ouvindo. Minha mente tava longe. Duda não era daqui. Dava pra ver no jeito que ela olhava tudo, na postura, no cuidado até pra respirar. E o morro sente isso. Sempre sente. Aqui ninguém passa despercebido. Desci até a boca sem pressa, mas ligado em tudo. Estacionei o carro no canto de sempre, desliguei o motor e desci. O cheiro do morro já era outro ali embaixo. Movimento, vozerio, rádio chiando, gente indo e vindo. — Aí, chefe! —

