III. A Problemática

962 Palavras
— Tomem seus banhos e vão estudar — falei para eles, quando chegamos. — Hoje, não quero que saiam… okay? — Sim, senhor, babbo — disseram, entrando em casa. — Que houve, Dan? — Magnos perguntou. — Querem pegá-los. O alvo falou. Sangue foi quem mandou — expliquei. — Não vou movê-los para outro lugar, só continuem na segurança deles… proverei reforço. — Ficaremos atentos. Eles seguiram para dentro e peguei o telefone para ligar aos nossos e mover alguns para perto de casa. Contatei Frank para organizarmos algo e consegui mover alguns dos nossos, que estavam próximos de sua área, enquanto ele cobria essa ausência com seus homens. Entrando na sala, a mãe e Beatrice estavam sentadas. Bebiam uma taça de vinho e o semblante de Beatrice ficou imediatamente irritadiço ao me ver. A mãe já tinha seus quarenta e seis anos, mas ninguém olharia para Alyssa e diria que ela tinha mais de trinta. Sua herança em minhas características foi, com certeza, seu sorriso. Diria que ela me entregou mais de sua forma de ser. Beatrice, minha noiva, era alta; tinha um corte Chanel no cabelo preto. Era bastante esbelta — principalmente por suas muitas dietas e obsessão em parecer uma modelo. Ela tinha o olhar castanho-claro e não poderia chamá-la feia — só não tinha vontade de tê-la, tocá-la… eram negócios. Aproximei-me para beijar a testa da mãe. Ela me acariciou e me deu sua benção silenciosamente. Fui até Beatrice para beijá-la, mas ela virou o rosto. Apenas dei de ombros e me sentei no sofá de frente às moças. A mãe se levantou para me servir vinho. Agradeci-lhe com um sorriso. Brindei com as taças das moças e a ligação se prolongou por metade da minha taça. — Está agitado! — Minha mãe disse, quando coloquei o telefone na mesa e me recostei. — Um pouco. Como estão? — Seria melhor, se tivesse um noivo — ironizou Beatrice. — Você pode ter todo problema do mundo comigo, linda — falei-lhe, suspirando. — Só poupa minha mãe disso, okay? Ela bufou, mas silenciou. — Não foi ao shopping? — perguntei. — Queria ir com você, Dante! — Nem sou a melhor das companhias — ironizei, tentando não falar tudo que tinha em mente. — Ofereci acompanhá-la, mas ela não aceitou. — Minha mãe disse. — Apaixonada demais para ir só. Aproveitei que Beatrice olhava para o lado para levantar uma sobrancelha, olhando para a mãe, que apenas riu. — Agora que está aqui, poderia vir comigo — sugeriu. — Bea, meu amor, até posso ir… se não reclamar de eu estar no telefone enquanto compra suas coisas. — Se for é para ficar comigo! — reclamou, mais alto. Nem me dei o trabalho de responder. Levantei. Fui m*l-educado com o fim da taça e bebi num único gole para subir. — Vai me deixar falando sozinha? — Ela levantou. Segui na direção do quarto. Ela ainda se aproximou e segurou um de meus braços. Suas unhas chegaram a arranhar, mas eu não reclamei, apenas parei de andar e olhei em seus olhos, respirando fundo. — Só vou pedir uma vez — falei bem calmo —, me solta. Como sempre, seus olhos encheram de lágrimas, mas ela me soltou e fui ao meu quarto. Tomei meu merecido banho, vesti uma calça qualquer e fui ao quarto dos pequenos. Seu quarto era bem escuro e eles tinham três camas. Duas camas infantis em cada extremo para dormirem sós e uma grande cama de casal no centro onde podiam dormir juntos. A cama de casal era mais usada como sofá. Se estivessem jogando videogame, estariam nela; se estivessem estudando, espalhariam seus materiais por ela. Felizmente, Victorio era organizado e não deixava o quarto ficar bagunçado nunca. Entrando, eles estavam realmente estudando. O mais estudioso explicava enquanto Giuseppe prestava atenção. — Gosto assim — ri, fechando a porta. Ambos riram e fui até lá para me sentar com eles. — Como estamos? — perguntei. — Bem… ele é meio burro, mas eu salvo. — Victorio riu. — Pelo menos sou mais bonito! — A gente é idêntico! — Victorio insistiu. — Como foi no colégio hoje? Viram alguém estranho? Eles se entreolharam, franzindo o cenho. — Não… — Notaram alguém agindo estranho? — Uma menina disse gostar de mim, babbo. — Victorio disse. — Achei estranho… nunca falei com ela, mas acho que ela nos confundiu — deu de ombros. — Eu não acho… a gente é idêntico e você é inteligente. — Giuseppe disse. — Ela nem é feia, babbo… mas, ele é chato! — Quem é a menina? — perguntei. — Ela mora perto do tio Vincenzo. Tem só o pai dela. — Giuseppe disse. — Walter… acho que é o nome dele. Vincenzo cuidava e morava na área leste da cidade. Um pedaço tido como “periférico”, tinha parte da população mais pobre e toda a classe média baixa. — Darei uma olhada. Obrigado! — O senhor podia ficar com a gente amanhã. — Giuseppe pediu, quando me levantei. — Tem jogo! — sorriu largo. — Fazemos assim, se precisar trabalhar não posso ficar, mas assim que terminar eu venho. Enquanto estiver no trabalho, fazemos o esquema do telefone — sugeri, sorrindo. Ambos assentiram com a cabeça rapidamente. O “esquema do telefone” era bem simples: enquanto eles assistiam qualquer coisa, nos mantínhamos conectados numa ligação, assim, eu ainda podia participar, mesmo que pouco. — Voltem a estudar e não percam o jantar — lembrei. — Disseram que sua mãe é quem está cozinhando — sussurrei. Eles comemoraram. Adoravam quando Megan era quem ia para a cozinha — honestamente, ela realmente era uma cozinheira de mão-cheia! Cumprimentei-lhes e saí do quarto, muito mais relaxado.
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