NOITE r**m

1069 Palavras
Ana Ainda fico dando voltas e voltas pela rua, paro no mirante e passo horas refletindo acerca da d***a que minha vida se formou. Trabalho a cinco anos no jornal, sou bem sucedida em minha carreira profissional, mas não tenho muitos amigos, e nem tempo pra fazer novos. Tenho pouco mais de vinte cinco anos, não tenho filhos e nem me casei. Entro no carro vejo que já é tarde, não posso ir pra casa agora, e se Nicolas estiver lá? Ele disse que iria me encontrar às seis. Mas confesso que estou exausta, preciso de um bom banho e comer algo. Estou a menos de uma hora de casa, passo pelo centro e vejo pouco movimento na rua. Está muito frio e me arrependo pela segunda vez por não ter trazido uma blusa mais grossa. Meu carro para de repente. — d***a! Era só o que me faltava. Desço e abraço meu próprio corpo por causa do ar gélido. Não percebo nada de errado. Os pneus não estão furados, confiro e noto que a água e o óleo estão completos. Retorno, ligo e não funciona. Pego meu telefone na bolsa para pedir ajuda, e vejo que o bendito descarregou. Saio e bufo, na esperança de surja alguém pra me ajudar. A rua está deserta, tem poucas casas por perto. Me lembro de ter passado por alguns moradores de rua a um quarteirão atrás. — Moça, precisa de ajuda? Ouço uma voz a me chamar. Mesmo que eu negasse não adiantaria, o homem está perto demais. — Ooi, não precisa, está tudo bem — falo insegura. Por algum motivo estou com medo. Não senti confiança nesse homem. Ele continua se aproximando e meu coração se acelera na medida que ele chega perto. Conheço esse olhar, ele tem maldade e malícia. — Não parece que está tudo bem. Deixa-me te ajudar — ele insiste. Sinto um medo e penso em entrar no carro e fechar a porta para me proteger, aos poucos dou alguns passos até que me encorajo e corro. O tal homem percebe meu temor e minhas intenções, se apressa e me pega já com o corpo quase dentro do carro. Sinto ele me jogar no estofado, meu corpo bate contra o câmbio de macha com violência. — Deliciosinha...— ouço-o dizer enquanto tenta me beijar. Suas mãos me seguram com força. Cenas do maldito Zeca me invadem a mente. Eu tinha apenas 11 anos, minha mãe não estava em casa, e desta vez eu não consegui fugir como das outras, ele me encontrou escondida bem na casinha do jardim. Eu era apenas uma criança, e minha inocência foi roubada de forma violenta. Assim como agora. Sinto minha boca ser tapada para que eu não grite. As lágrimas descem sem parar, lágrimas de medo, lágrimas de dor. E quando penso que esse desconhecido vai consumar sua violência, sinto de repente um alívio, o corpo imundo dele é lançado de cima de mim, para fora. Ouço uma voz masculina diferente gritar: — Solta ela seu e********r de m***a! — o desconhecido fala com fúria em sua voz. Levanto-me assustada com o que quase aconteceu e ajeito minhas roupas. Recomponho-me e vejo os dois homens rolando no chão. A briga é f**a. Ouço o monstro dizer entre os socos: — Quem você pensa que é seu mendigo i*****l, ela é só uma v***a qualquer! A resposta que ele recebe, são vários socos no rosto. Estou muito nervosa, olho para os lados a fim de conseguir ajuda, mas está tudo deserto e escuro. Observo a figura do homem que me defende, ele se parece com um dos moradores de rua que eu vi logo atrás. Veste roupas sujas e rasgadas, sua barba e cabelos são longos, não consigo vê-lo direito, também usa uma touca na cabeça. Ele está por cima e soca o e********r várias vezes. Ainda estou nervosa com tudo que está acontecendo, mas tudo piora quando o maldito que me atacou se levanta e o derruba ficando por cima dele. O agressor é bem mais forte e grande, na verdade o rapaz foi muito corajoso em enfrentá-lo. Começo a me desesperar quando vejo que agora o meu protetor está recebendo uma surra daquelas, uma angustia me invade, fico aflita e grito por ajuda, mas ninguém aparece. — Pelo amor de Deus, alguém me ajude! — grito andando de um lado para o outro. A briga fica pior. O rapaz parece desmaiar, e o bandido agride várias vezes no homem ao chão. — Eu vou chamar a polícia seu covarde! — falo para o agressor já correndo. Então decido sair e tentar conseguir ajuda. Vou até a rua principal, fico aliviada ao ver um carro de polícia passando na avenida, começo a pular no meio da rua feito uma louca, faço gestos e eles vem em minha direção. — Ali, tem um homem que tentou me atacar, na rua ao lado! — começo a dizer trêmula enquanto eles se aproximam. Eles nem param o carro e seguem até o local que indiquei. Em meus pensamentos peço a Deus que o rapaz que me ajudou não esteja morto. Chego quase sem fôlego, os policiais estão socorrendo o homem e o agressor não está, certamente fugiu. Maldito! Mas o rapaz está desacordado no chão, bem machucado. — Meu Deus! Ele morreu? — pergunto ao ver o seu estado. O policial tenta fazer os primeiros socorros. — Não, ele só desmaiou. Escuto o outro falar no rádio. — Suspeito de violência s****l e agressão, fugiu pela Av. Principal a pé. Trajando calça jeans e blusa preta. Sinto muita raiva que o maldito tenha fugido, mas concentro minhas energias no rapaz ao chão, desejo que ele não esteja em estado grave. Os policiais colocam o homem na viatura e me avisam que vão levar ele para um hospital que fica ali próximo. Volto para meu carro e felizmente ele funciona, xingo várias vezes por ele ter me deixado na mão, se isso não tivesse acontecido, eu não teria parado ali e também não teria sido atacada, muita coisa seria diferente. Sigo o carro da polícia, preciso dar suporte ao rapaz que me ajudou, não sei quem ele é, mas se sacrificou por mim, não posso deixá-lo sozinho. Em meio a uma angústia terrível, meu coração se aperta. Reflito novamente sobre todo caos que está minha vida, bufo, eu sabia que meu dia poderia piorar.
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