P.O.V Olívia
Não sei ao certo quando tudo começou a dar errado, mas estava tudo desmoronando.
Eu não conseguia manter o plano de ser gentil e seduzi-la enquanto houvesse uma enorme mágoa e raiva dentro de mim, era simplesmente impossível.
Quando a Natalie começou a divagar sobre sexo eu só consegui pensar em como ela era egoísta por estar pensando em suas necessidades físicas, mas quando estávamos juntas e eu queria fazer amor com ela tudo desandava a começar por seu falso nervosismo e o hábito terrivel de dizer coisas erradas bem na hora só para escapar.
Totalmente insensível. E eu não conseguia disfarçar o quanto tinha chateação acumulada por todas as antigas tentativas falhas.
Assim que conseguimos um quarto num hotel qualquer perdido naquela estrada aproveitei a oportunidade e liguei para o Oliver visto que a Natalie ainda estava no saguão com o dono da espelunca.
- Fala minha deusa! - o ouvi dizer assim que atendeu no segundo toque, suspirei deixando meu cansaço exalar. - O que está dando errado?
- Eu não estou conseguindo, eu a odeio! - falei em um suspiro.
- Não odeia não, você tenta, mas não consegue, e acaba odiando esse fato. - revirei os olhos não querendo admitir que ele estava certo.
- Depois que vi uma foto dela com a Claire tentei pôr o plano em prática mas não deu certo. - murmurei baixinho cruzando minhas pernas sobre a cama.
- Me parece que você ficou com ciúmes. - o amaldiçoei por estar rindo de mim naquele momento.
- Não! Oliver eu tentei seduzir ela, fiz de tudo, praticamente encostei na boca dela e a estúpida começou a divagar, acabei perdendo a paciência. - me exaltei um pouco relembrando aquilo.
- Calma mulher, tem que manter o plano assim mesmo. - respirei fundo ouvindo atentamente as palavras dele.
- Eu sei que tenho que manter o plano, mas não dá, as vezes quero matá-la e enterrar numa cova rasa. - ele riu me fazendo sorrir também por um instante.
- Me escuta Liv, você vai ser gentil e carinhosa com ela, irá esquecer por um momento essas mágoas, vai fingir que está dando uma chance e então terá o divórcio e ainda por cima a casa só para você, mas precisa fazer um maravilhoso sexo bem lésbico com aquela ruiva. - fiz um som nasalado em concordância, não seria um grande sacrifício. - Eu sei que está louca para dar mas se não quiser não precisa dormir com o inimigo. - sorri fazendo outro som nasalado para concordar com ele. - Você vai conseguir o que quer, só precisa ser a antiga Olívia e..
- Sexo, sim sei. - completei sua frase - Vou manter o plano. - me levantei da cama rapidamente ansiosa para tomar um banho mas o barulho de algo se chocando contra a parede despertou minha atenção para a Natalie com cara de culpada esgueirada na porta.
Será que ela tinha ouvido algo? Acho que não. Dei de ombros virando-me para o banheiro novamente.
- Agarra essa ruiva! - me lembrei de que ainda estava em ligação ao ouvir meu amigo gritar do outro lado da linha.
- Vou desligar Oliver, boa noite. - murmurei desligando a ligação e colocando o celular sobre à cômoda antes de ir tomar meu demorado banho para evitar ficar muito tempo perto da Natalie.
Adentrei o banheiro desejando relaxar um pouco e tirar toda aquela sujeira do meu corpo, passar muito tempo sentada naquele carro era cansativo demais.
Acariciei minha pele espalhando o sabonete líquido respirando fundo apenas para inalar aquele gostoso cheiro de flores, pelo menos ali dentro eu não tinha que me preocupar com a Natalie tentando puxar assunto ou me encarando com seus lindos e atraentes olhos cor de mel.
Seria tão mais fácil odiá-la se ela não fosse tão linda e irresistível.
A porta foi arrombada subitamente por uma Natalie desesperada, saltei assustada com o barulho e assim que a notei ali dentro tentei cobrir meu corpo ao máximo com meus braços.
- O que você pensa que está fazendo aqui Natalie? - perguntei aos gritos tentando me cobrir vendo-a se aproximar determinada, seu olhar correu por todo meu corpo e então ela segurou o meu braço me puxando até colidir com o seu corpo.
- Estou aqui para te tornar minha! - estremeci diante de suas palavras sentindo minha pele arrepiar e minha boca salivar.
Seu sorriso no canto dos lábios só me fazia ter certeza de que eu não teria escapatória, e naquele momento eu nem sabia se queria mesmo uma.
Sua boca atacou meus lábios rapidamente sem me dar chance de dizer algo, por instinto adentrei seus cabelos com uma das mãos enquanto a outra tentava afastá-la empurrando seu ombro, eu não podia ceder, queria, mas não podia.
Seus braços enlaçaram minha cintura exatamente como eu adorava enquanto nossas línguas batalhavam pelo domínio, mordendo meu lábio inferior com um pouco de força acabei gemendo contra sua boca e ali ela viu a oportunidade perfeita de me carregar.
Enlacei sua cintura com minhas pernas fazendo-a sentir o quanto eu estava molhada.
- Está molhadinha para mim amor? - arrepiei sentindo seu hálito quente contra meu lábios, seus olhos escurecidos me encaravam com desejo mas era notável que neles também haviam medo.
- Natalie... - a chamei assim que recuperei o fôlego, como se não quisesse me ouvir ela passou a me segurar somente com um dos braços e então eu senti sua mão descer até o meu ventre me causando mais frio na barriga ainda sabendo que seus dedos desceriam um pouco mais e assim o fizeram. - Oh Deus! - gemi apertando ainda mais sua cintura.
- Só me deixa te tocar amor. - ela sussurrou para mim encostando nossos lábios novamente só que dessa vez foi delicado e suave.
Entre a razão e o desejo, eu tentei pensar no certo a se fazer, nunca esteve nos planos me envolver dessa forma, isso seria errado.
- Eu prometo fazer tudo bem gostoso quando minha boca te tocar lentamente. - aquilo era golpe baixo! Respirei fundo tentando me controlar e dizer algo.
- Faz isso logo por favor! - supliquei de forma manhosa arranhando sua nuca enquanto me ajeitava em seu colo, sorrindo largamente ela saiu do banheiro comigo no colo nos levando até a cama.
Entre a razão e o desejo, claro que o desejo ganhou.