O tempo passava tão rápido ou ele continuava na mesma velocidade e minha felicidade afetava seu movimento? Eu não sabia dizer, mas eu tinha chegado aos meus 27 anos ao lado dele, Jeon Jungkook, e era como se a gente não tivesse saído ainda daquela fase inicial onde tudo era simplesmente perfeito.
Intimidade e cumplicidade foi algo que sempre tivemos, é claro que às vezes tínhamos nossos desentendimentos, até há anos atrás quando éramos apenas amigos. Ainda assim era totalmente diferente do que eu já havia vivenciado. Eu passei praticamente nosso primeiro ano de namoro inteiro comparando o que eu tinha com Jungkook com todo o resto que já tive e isso deixava ainda mais gritante o quanto eu estava me afundando em amores tóxicos.
Nesses 4 anos que voaram, aconteceu tanta coisa. Pra começar, Jungkook e eu nos formamos. Eu trabalhava na universidade e o único problema era que eu tinha que lidar com Seokjin como colega de trabalho, mas ao menos ambos tentávamos nos evitar ao máximo. Jungkook fazia alguns trabalhos voluntários, ensinando canto às crianças e tinha um emprego fixo em um clube de música. O lugar começou a lotar desde que Jungkook foi contratado para cantar e eu sempre ia lhe ver. Quase sempre saia de lá com o coração transbordando de amores, porque vez ou outra ele me surpreendia com uma nova canção sobre nós dois.
Taehyung e Hyojin ainda faziam parte da minha vida. O laço que criamos era realmente forte. Taehyung era mais um amigo valioso em minha vida e nenhum de nós dois queria sumir. Ele continuava a ir para as minhas apresentações de piano e a — não mais tão pequena — Hyojin estava despertando mais interesse na dança do que na pintura e sempre dizia que queria estudar na mesma faculdade que o “tio Yoongi” dava aulas. A gente costumava ir ao parque juntos ou ao cinema, brincávamos, comíamos e eu me sentia feliz por ter ligações tão suaves com outras pessoas.
Mas isso não queria dizer que eu ainda não tinha meus medos e não ia mais a terapia, pelo contrário, eu sempre ia. Só que diferente de antes, que eu precisava ir uma vez por semana, agora eu ia uma vez por mês, apenas como rotina, para desabafar um pouco. Eu já me sentia mentalmente saudável em questão de me envolver com pessoas, fosse amizade ou romanticamente. As coisas com Jungkook sempre iam bem e eu tinha em mente que ele não me completava, apenas me complementava, adicionando em mim e jamais retirando.
Éramos perfeitos juntos, na medida do possível. Eu lembro da nossa primeira briga, na realidade foi um desentendimento bem simples, mas mesmo assim eu não tive nenhum controle dos meus sentimentos naquele momento. Eu chorei de uma forma tão desesperada, que fiz Jungkook entrar em desespero junto comigo. Então ele deixou nossa desavença de lado e me abraçou se desculpando. Hoje em dia quando temos nossos pequenos desentendimentos, eu respiro fundo e nós dois colocamos tudo para fora em uma conversa calma.
Eu não conseguia parar de pensar em como nós dois conseguíamos lidar bem com as diversas situações em que nos encontrávamos. Estávamos sempre evoluindo juntos e era pensando em todo esse processo que eu estava prestes a lhe fazer um pedido muito especial.
Jungkook e eu conseguimos completar 4 anos juntos e eu queria o dobro disso, desse bem estar que ele sempre trouxe a minha vida e que eu lhe retribuía. Agora é fácil demais aceitar meus sentimentos sem temê-los e a cada segundo que eu podia, fazia questão de lhe dizer como a sua presença era importante para mim.
— Amor. — acariciei seus cabelos.
Jungkook estava deitado em meu peito, agarrado a minha cintura, como se eu fosse seu bichinho de pelúcia e ele um garotinho de 8 anos.
— Hm? — soltou um ruído rouco em atenção e seus olhos vieram para os meus.
— Eu estava pensando em nós dois e eu queria morar com você. — falei. — O que acha?
Jungkook levantou-se, deixando sua preguiça de lado, e me encarou surpreso.
— Jura?
Confirmei com um aceno de cabeça.
— Eu tenho pensado muito nisso. Seria bom dar mais um passo, certo? Já temos empregos estáveis, convivemos bem e ainda nos amamos. — ri tímido.
— Vamos nos amar sempre. — afirmou presunçoso. — Eu estava esperando só você se sentir pronto para isso, Yoonie. Eu meio que sempre quis. — tocou meu rosto e cheirou minha bochecha.
— Eu estou pronto já tem um tempo. Vamos fazer isso.
— p***a, Min Yoongi, você não cansa de me fazer o cara mais feliz do mundo?
Ele me puxou para cima de si e me apertou em um abraço pesado, Jungkook roçou seu nariz no meu e sorriu, olhando em meus olhos.
— Às vezes eu ainda não acredito nisso, parece bom demais. É como se todos os meus sonhos tivessem se realizado.
— Ainda não acabou. — beijei seus lábios. — Tem muita coisa pela frente ainda.
— Eu sei. — respondeu doce.
E depois de mais um de seus lindos sorrisos, Jungkook encaixou nossos lábios e afrouxou seu abraço. Meu coração continuava se inundando, como foi no começo e como continuaria sendo mais adiante. Hoje em dia, eu não costumava mais pensar ou comparar o que Jungkook e eu construímos, porque isso era único e era apenas nosso.
— Ah, Kookie, o que acha de ter filhos mais para frente? — o olhei receoso.
— Eu acho perfeito. Qualquer coisa com você é perfeito, meu amor.
Ele me jogou na cama e eu agarrei seus cabelos, acariciando e cheirando sua pele. Meu corpo todo tremeu em euforia. Mesmo que tenha demorado e que eu tenha passado por tanta coisa, eu finalmente me sentia livre, o que antes parecia impossível dentro das minhas relações. Jungkook e anos de terapia me fizeram perceber que o amor que eu tanto necessitava, buscava e achava merecer, esteve sempre dentro de mim e, também, ao meu lado.
Fim