Zeus Eu estava na boca principal, como em tantas outras noites que pareciam iguais. O lugar era um velho ponto de encontro: paredes de tijolo aparente rachadas, grafites antigos cobrindo quase tudo, um cheiro forte de maconha queimada, pólvora velha e suor de homem misturado com o ar úmido da favela. Sentado no banco de cimento improvisado, eu fumava um baseado lento, sentindo a fumaça descer quente pela garganta. Ao meu redor, uns quinze dos meus melhores homens. O Juninho, sempre nervoso, contava uma piada velha sobre polícia que todo mundo já tinha ouvido mil vezes. O Bigode ria alto, passando um fuzil 762 de mão em mão como se fosse um brinquedo. O Moleque, o mais novo, ficava quieto no canto, só observando, com o olhar de quem ainda acha que a vida na boca é filme de ação. Decidi vi

