O ano letivo se vai, eu sofri com a partida de Nigel e James, mas depois esqueci, Rômulo me fez esquecer, minha mãe depois de um mês voltou a falar comigo, a formatura foi muito legal e a noite teria o baile, minha mãe e eu compramos um vestido de gala de cetim para mim, ele era roxo e de alcinha e cotas nuas, meus cabelos receberam um tratamento de beleza e cachos, minha tia fez minha maquiagem e esperei ansiosa por Rômulo, quando ele apareceu, eu quase caí de costas, estava de smoking e gravata borboleta, acho que meus olhos brilharam, ele estava incrivelmente lindo e não era a toa que era o Rei do baile e infelizmente Sophia seria a rainha e teriam que dançar a primeira valsa, mas eu não estava nem aí, me despedi de todos e segui para o baile com Rômulo, no caminho fomos nos olhando, seus olhos diziam tudo, era aquela noite que iríamos nos amar, o clima estava para isso.
Quando entramos no ginásio, um caminho se abriu e pela primeira vez me senti importante, várias fotos foram tiradas da gente, sorrimos entrando naquele salão, provavelmente uma das fotos iria para o jornal da escola e da cidade, ultimamente eu e ele estávamos sendo bem fotografados e comentavam sobre nós nas rodinhas, éramos um casal bem diferente, eu baixinha e cheia de curvas e ele alto e forte, minhas roupas foram mudando com o passar do tempo, foram dois meses de mudanças incríveis e eu estava feliz, ate amigas eu cheguei a fazer fora da escola, namoradas de outros jogadores e agora sabia dirigir e meu pai me presenteou com um Ford 72 de sua coleção, que pra mim não passava de ferro velho.
Dançamos algumas musicas e logo começou a apresentação do Rei e da Rainha do baile, Sophia praticamente se apoderou do meu namorado, meu ciúme foi ao topo, mas me mantive sorridente, Rômulo parecia se divertir com o que ela fazia, e foram para o salão dançar a valsa, e Sophia grudou nele como uma sarna e tentou arrancar um beijo dele até que numa distração, ela o beijou com vontade e ele respondeu ao beijo, todos começaram a assoviar e a aplaudir, e eu fui ficando para traz, arrasada, acabei saindo da festa quando vi que se agarraram mais uma vez.
Chamei um taxi e entrei e segui para casa, fui chorando decepcionada e arrasada com o que aconteceu, jamais esperei que isso fosse acontecer, mas Sophia vinha provocando há muito tempo, o que não achei é que Rômulo iria ceder assim e bem na minha frente, de repente o taxista é obrigado a sair da pista, eu gritei de susto quando o carro voou pela grama entrando no pasto, acabei batendo a cabeça na porta e desmaiei.
Acordei sentindo minha mão sendo segurada, minha cabeça latejava de dor e reconheci que estava em um hospital, gemi tentando entender o que aconteceu.
"Oi Filha!", minha mãe surgiu no meu campo de visão, "Está tudo bem!... Foi só um susto!".
Fechei os olhos de dor de cabeça, "O que aconteceu?".
"O taxista perdeu o controle na estrada!", minha mãe falava baixinho, "Por que veio embora sem o Rômulo?".
"Eu não me lembro!", disse para retardar a conversa, "estou com dor de cabeça!".
"É pela pancada!... Você dormiu dois dias!".
Abri os olhos e a encarei.
"Descanse!... precisa melhorar para ir para casa!".
Fechei os olhos e procurei descansar e acabei dormindo.
Acordei de manhã com minha mãe e meu pai conversando no quarto, falavam baixo e eu não entendia o que era, "Mãe?".
"Oi querida!".
"Quero ir para casa!", a olhei e olhei para meu pai que se pôs ao lado de minha mãe.
"Vamos ver o que o médico diz quando passar aqui!", minha mãe passou a mão pelo meu cabelo, "Rômulo vem daqui a pouco para ficar com você!".
Não respondi, apenas olhei para a janela, o tempo estava nublado, as palavras de Nigel ecoavam pela minha cabeça, "você está jogando sua filha para a infelicidade!", fechei os olhos e comecei a chorar de tristeza e saudades dele, agora estava tão longe e não podia ver e nem tocar em seu rosto, eu o queria por perto, era meu porto seguro e eu precisava dele, minha mãe me puxou para um abraço, mas eu não a abracei, ela era culpada por ele ter ido embora e por me transformar em uma pessoa covarde, chorei muito até cansar.
Rômulo me acordou do meu sono, acariciando meu rosto, nossos olhos se encontraram, eu vi o arrependimento em seus olhos, ele me beijou, "Me desculpa!".
Não disse nada, apenas fiquei olhando para ele, era para ser uma noite perfeita, mas acabou com tudo, desviei o olhar para a janela, as lágrimas desceram amargas.
"Vamos gata!?... Não faz isso comigo!?", ele apoiou a cabeça no meu peito, "Eu fiquei apavorado quando soube do acidente... Eu estava te procurando pelo estacionamento, eu sabia que tinha feito besteira!", ele engole em seco, "Me perdoa?!".
"Vai pra casa Rômulo!", disse ainda olhando para a janela.
"Não!... eu vou ficar aqui com você!... Por que eu amo você!", ele puxou meu rosto e me fez olhar para ele, "Eu sei que fiz besteira!... Mas entenda que você é a minha primeira namorada!... E meu primeiro amor!", ele me beija novamente, "Me perdoa gata!... Juro que nunca mais farei isso de novo!".
Seus olhos estão cheios D'água, seus lábios tocam os meus novamente, e uma lágrima de seus olhos pingaram no meu rosto, passei os braços em sua volta e o puxei para mim, ele soltou um suspiro grande e me abraçou apertado.
"Deita aqui comigo?", pedi dando espaço para ele na cama.
Rômulo sorriu e subiu na cama e deitou ao meu lado e me fez deitar a cabeça em seu peito, ele enxugou o rosto e soltou o ar pela boca, "não devia ter ido embora gata, podia ter morrido!".
"O que aconteceu?!", perguntei quase em um sussurro.
"Um animal atravessou a estrada e atingiu o carro em cheio, o motorista morreu na hora, e você está viva por milagre!", suas mãos roçavam minhas costas. "Você foi jogada para fora do carro!".
Fiquei tentando me lembrar, mas nada vinha a minha cabeça, com a pancada eu apaguei de vez e podia dizer que tive sorte, estava inteira e dormi só dois dias.
Fiquei no hospital mais um dia e fui para casa, lá fui paparicada e Rômulo não saiu de perto de mim, até comida na boca eu recebia, Joe era o primo que vivia na minha casa, e me divertia com ele e Rômulo jogando vídeo game, eu sentia muita dor de cabeça e a falta de concentração persistiu e por longos dias, novamente me esqueci de Nigel e acho que ele nem deve saber o que aconteceu e mesmo que soubesse, ele não viria por causa da minha mãe.
O Sr. e Sra. Coster vieram me visitar, foi uma surpresa em tanto e percebi o quanto o meu namoro com Rômulo estava ficando sério, por um lado eu gostava e por outro achava rápido demais, eu só tinha 18 anos e queria aproveitar e muito a minha vida, fazer faculdade e me formar e curtir a vida de solteira, mas por outro lado eu gostava do amor que transbordava de Rômulo, o acidente fez com que ele abrisse os olhos para mim, creio que até o momento ele não tinha caído em si o quanto eu era importante, sua vida de solteiro tinha acabado e a minha também, estávamos oficialmente compromissados, a noticia do meu acidente saiu no jornal da cidade e minha mãe guardou o jornal para me mostrar, mas não deixou que eu visse a foto, só quando estivesse melhor.